Sinopse: "Vá, coloque um vigia é o segundo romance de Harper Lee, mas foi escrito antes do mítico O sol é para todos, que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1961. Este livro inédito marca o retorno, após 65 anos de silêncio, de uma das maiores escritoras americanas do século XX. A continuação de O sol é para todos, um dois maiores clássicos da literatura mundial. Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar."
ATENÇÃO,
esta resenha pode conter spoilers do livro O Sol é para todos. Leiam por sua conta e risco!
Em O Sol é para todos, somos apresentados à pequena Jean
Louise Finch, mais conhecida como Scout ou, como a menina de nove anos que viu a sua
vida se transformar quando o pai, o advogado Atticus Finch, aceitou defender um
negro de uma acusação de estupro, em uma época na qual os negros ainda eram
tratados como escória.
Em Vá, coloque um vigia, muitos anos se passaram e Jean
Louise já está com vinte e seis anos, morando em Nova Iorque. No começo do
livro ela vai até Maycomb, para a sua quinta visita anual à casa do
pai, onde passará duas semanas com o homem que tanto admira.
Muita coisa mudou na vida dos personagens no transcorrer do tempo de uma obra para a
outra. Aqui, o irmão mais velho de Jean Louise, Jem, faleceu repentinamente,
Atticus está velho, sendo cada vez mais atacado pela artrite reumatoide e Henry
Clinton, a paixão de adolescência de Jean, insiste em casar-se com ela a
qualquer custo, mesmo que o matrimônio não esteja nos planos da garota.
Maycomb, por sua vez, continua sendo aquela pacata cidade de antes. Todos se
conhecem e sabem da vida um dos outros. Jean Louise nunca foi bem vista pela
sociedade em razão do seu comportamento e da sua personalidade irreverente, mas
é claro que ela nunca se importou com isso. A garota tem uma mente à frente de
seu tempo e irrita-se com as futilidades que as outras mulheres de sua idade
parecem amar.
Essa nova visita de Jean Louise à Maycomb promete dar muito o
que falar, já que o país está passando pelo fim da segregação racial e os negros estão
adquirindo mais posses, status e independência - o que não está sendo muito
aceito pelos brancos, que ainda os consideram a ralé da sociedade.
Em Nova Iorque, Jean Louise não via isso com tanta frequência, mas nos Estados do Sul tudo está cada vez mais alarmante e há até uma possibilidade de mais uma guerra eclodir. O que Jean Louise não entende é por que todos querem impedir o avanço e se vê em meio a um conflito interno, quando tudo em que acredita é colocado em prova pelas pessoas que mais ama.
Agora, Jean Louise deverá decidir qual rumo dará para sua
vida. Retornar para Nova Iorque ou ficar de vez em Maycomb? Casar-se ou não com
Henry? E, o mais importante de tudo: ser fiel aos seus princípios ou à sua
família?
Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!
Quando eu li O Sol é para todos, me apaixonei
instantaneamente. Sempre tive um problema para ler clássicos, mas este me
arrebatou com sua simplicidade e com questões tão atemporais que o devorei em
pouco tempo. Quando a continuação foi anunciada, cinquenta anos depois da
publicação do primeiro, fiquei curioso com o que estava por vir, e me
decepcionei com o que encontrei.
A escrita de Harper Lee está bem diferente. Enquanto no
primeiro volume seu texto era acessível, nesse segundo está rebuscado demais,
cheio de floreios desnecessários, tornando complicado o entendimento de certas
passagens da narrativa. Entendo que houve uma evolução da personagem principal
e que esta segunda obra foi escrita antes da primeira, mas ainda assim não
gostei da mudança.
Vá, coloque um vigia é narrado em terceira pessoa, na visão
de Jean Louise, e isso me incomodou um pouco. A personagem aos nove anos era
incrível. Li O Sol é para todos adorando cada momento vivenciado com ela. Atualmente,
depois de adulta, a garota parece ter se transformado em outra pessoa, um tanto
pretensiosa, mimada e, o que mais me irritou, passiva. Senti falta do seu jeito
irreverente de ser.
Falando em sentir falta, a morte de Jem para mim foi um
baque. Um personagem tão querido no exemplar anterior, que foi vagamente citado
neste, e que poderia ter sido melhor aproveitado caso a autora não tivesse decidido
matá-lo. Outro estranhamento que tive foi o fato de, nesta história, Harper
ter mencionado, por diversas vezes que Henry se tratava de um amigo de infância
da protagonista, apesar de eu não conseguir me recordar de ele ter sido ao
menos mencionado em O Sol é para todos.
Para piorar a situação, Lee também ignorou a
existência de Boo Radley, o vizinho misterioso que era um ícone para Jem e
Scout quando jovens, nessa continuação. Sabemos o que aconteceu com praticamente
todos na cidade, exceto com esse personagem tão importante.
Resumindo as minhas impressões: O livro é curto, não chega a
lugar nenhum e o enredo ainda nos satura de fatos históricos, como se
tivéssemos a obrigação de saber sobre tudo aquilo. O final deixou bastante a
desejar, pois, quando finalmente senti que a trama ia engrenar, me deparei com
a última página, e isso foi extremamente frustrante.
A edição física segue o mesmo padrão da primeira e está
muito bem trabalhada. A capa tem um tom de azul que contrasta com o laranja do
volume predecessor e fica lindo na estante. A diagramação é simples, a revisão
está ótima, as páginas são amareladas e a fonte é grande, facilitando a leitura.
Vá, coloque um vigia é uma sequência um tanto quanto desnecessária,
mas foi interessante ver o futuro de Jean Louise, uma garota sem preconceitos,
em um país repleto de discriminação. Eu recomendo a leitura, mas com algumas
ressalvas. Não esperem outra obra prima da literatura.











Leonardo,nesse livro ,me parece que muitas mudanças com relação aos personagens ,não sabia,entretanto que Henry,paixão da adolescência de Jean,insistisse em casar-se com ela a qualquer custo,mesmo esse não sendo o plano de Jean.Fiquei um pouco curiosa com as decisões ,com relação a casar,permanecer em Maycomb ou voltar para Nova Iorque.Realmente todos que leram O Sol é para todos e leram essa obra não gostaram das diferenças encontradas.Realmente a morte de Jem não foi legal,pena o final do livro deixar a desejar.Legal combinar o livro com as cores na estante ,pena que ele não foi tudo aquilo.
ResponderExcluirLeo!
ResponderExcluirNa verdade é o inverso, esse livro foi escrito primeiro do que o Sol é para todos.
A autora achou que deveria escrever sobre o passado das personagens desse livro e fez o outro.
Muito bom, né?
“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.” (Madre Teresa de Calcutá)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Sim, Rudy, o Leo fala sobre isso na resenha, que esse livro foi escrito por primeiro, mas publicado 50 anos depois. Pena que ele não curtiu.. hehe Beijos
ExcluirAh, eu amo O Sol é Para Todos. Não sabia da existência de Vá, coloque um vigia. Vou ler porque gostei muito de O Sol é Para Todos! Acho que vale a pena...
ResponderExcluirOooun adoraria dizer que li sua resenha, mas, como ainda não terminei o primeiro livro, fiquei morrendo de medo dos spoilers kkkkkkk. Só queria dizer que, mesmo tendo começado "o sol é para todos" agora, ja estou encantada pela história, o livro é bastante envolvente e eu já fiquei louca pra ler o segundo só de ver como a capa dele tá linda. Espero não estar criando expectativas demais kkkk beijo
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