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Vamos debater - Preconceito Literário

Vamos debater - Preconceito Literário
E aí pessoal, hoje eu vou falar sobre um assunto que simplesmente me tira do sério: o preconceito literário.

Eu estou simplesmente cansada de ver pessoas julgando, criticando, rotulando e apontando não só livros que consideram como subliteratura ou de péssima qualidade, como quem os lê.

Nem todos os livros vieram ao mundo para instruir ou mudar as nossas vidas. Alguns servem mesmo apenas para nos divertir ou acalentar a nossa alma, e isso não os faz ser melhores ou piores do que os outros. 

Especial A Herdeira - Analisando a Princesa Eadlyn Schreave - Dia 2

Especial A Herdeira - Analisando a Princesa Eadlyn Schreave Kiera Cass
ATENÇÃO! Este post pode conter spoilers de A Herdeira. Leiam por sua conta e risco!

Todos que já leram A Herdeira (resenha AQUI) terão que concordar que nunca Kiera Cass criou uma personagem tão polêmica quanto Eadlyn Schreave. Ela foi a responsável pela grande maioria dos leitores se decepcionarem com a obra e angariou diversos haters pelas blogosfera. Mas por que Eadlyn é tão odiada por alguns, enquanto outros se encantaram pela moça?

Vamos debater - Livros Jovens Adultos para GLS

Oi gente, alguém aqui sabia que existe um segmento de livros direcionados aos jovens adultos que são gays, lésbicas, e simpatizantes? Confesso que eu não sabia, muito menos que existia uma listagem dos livros mais populares nesse estilo. Vocês podem ver a lista completa de livros AQUI.

Pelo que entendi, os livros jovens adultos para GLS são todos aqueles que contém em seus textos personagens que são gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais.

Encabeçando essa lista, como o livro mais popular, está As Vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky.

"Elogiado pela crítica e adorado pelos leitores, As vantagens de ser invisível – que foi adaptado para os cinemas com Emma Watson, a Hermione de Harry Potter, e Logan Lerman, de Percy Jackson, no elenco – acaba de ganhar nova reimpressão pela Rocco. Livro de estreia do roteirista Stephen Chbosky, o romance, que vendeu mais de 700 mil exemplares nos EUA desde o lançamento, está de volta ao topo do ranking do The New York Times impulsionado pela adaptação para a telona. Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, As vantagens de ser invisível reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir “infinito” ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário. Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo."

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Vamos debater - Assistir novela, para quê?

Novelas da Globo 2012
Estas foram as últimas novelas que assisti
Oi gente, fazia tempo que não aparecia com a coluna Vamos debater, né?! Mas depois de encontrar uma matéria super divertida falando sobre Por que você não deve assistir à nova novela hoje à noite, referindo-se à estreia da nova novela Em Família, no dia 03/02, não resisti e precisei criar este post.

A intenção não é mal dizer as novelas ou incentivá-los a não as assistirem mais, mas é questionar o porquê fazemos isso.

Vamos debater - Classificação Indicativa

Classificação Indicativa para Livros
Oi gente, hoje trago um assunto meio polêmico para debatermos: A Classificação Indicativa para livros.

Mas afinal, o que é Classificação Indicativa e para o que serve?

"Em um contexto de forte presença da mídia no cotidiano de crianças e adolescentes, o estabelecimento de mecanismos de proteção e informação, como é o caso da classificação indicativa, oferece concretude ao paradigma da promoção do desenvolvimento integral desses segmentos etários, preconizado pelas convenções internacionais e pela legislação brasileira. Trata-se de um importante elemento de garantia dos direitos humanos de meninos, meninas e adolescentes no âmbito de sua relação com os meios de comunicação, já que permite a identificação do conteúdo da programação audiovisual de modo que pais ou responsáveis – por vezes ausentes do cotidiano dos filhos em virtude do trabalho e outros afazeres – possam decidir sobre aquilo que eles e elas devem, ou não, ver." Fonte.

Semana Bling Ring - Vamos Debater - Dia 5

Crítica
Oi gente, a Semana Bling Ring está chegando ao final, mas antes, convido vocês para participarem deste importante post. Vamos debater os temas abordados por Nancy em seu livro! Tenho certeza de que um dos motivos que a levaram escrevê-lo foi justamente esse: abrir portas para a reflexão acerca da supervalorização da fama, do dinheiro fácil, do glamour, do consumo, e da busca por um estilo de vida fútil e falso.

ATENÇÃO! Este post abordará temas debatidos no livro Bling Ring e trará quotes do texto. Se você ainda não leu o livro, pode encontrar alguns spoilers sobre a história. Leia por sua conta e risco!!

Já contei para vocês AQUI nesse post que assisti ao filme, de mesmo nome que o livro, dirigido por Sofia Coppola e não gostei. De certo modo, me senti agredida pelas cenas que vi: um bando de jovens riquinhos que só sabiam se drogar, fazer festas e roubar casas de famosos. Enquanto assistia, tudo parecia tão distante da minha realidade, soava tão falso. Mas assim que comecei a ler o livro fiquei absolutamente chocada com tudo que lia. Aquilo de fato aconteceu, aquelas pessoas realmente existem e os problemas sociais pelos quais atualmente passamos são infinitamente mais complicados e complexos do que imaginamos.
"Por que a Bling Ring fazia aquilo? Por que roubar coisas de gente famosa?"
Essa, definitivamente, é a pergunta que não quer calar! O que fez com que jovens bem de vida viessem a cometer roubos tão ousados como esses? Eu pactuo com a visão de Nancy. De início, tudo não passou de um capricho de uma garota mimada como Rachel, que convenceu seu amigo, Nick, a assaltar as casas dos famosos porque ela QUERIA seus pertences. Vocês não imaginam como essa realidade me assusta, principalmente porque o Brasil tende a imitar muito os padrões americanos, inclusive seus maus exemplos, e gradativamente temos visto adolescentes parecidos com os da gangue nas escolas do país.

Quem nunca conheceu um Nick, um jovem excluído e cheio de problemas que anseia profundamente apenas em ser aceito, amado e ter amigos? Eu já fui "uma" Nick um dia, quando era bem guria, usava óculos, aparelho e era gordinha. Quando mudei de escola, já mais crescida, magra e com uma aparência bem melhor, pude desfrutar das mesmas sensações que ele teve ao fazer amigos pela primeira vez, ao frequentar festas e ser popular. Essa é uma sensação indescritível, porque mexe com nosso ego e nossa vaidade, principalmente quando somos jovens e cabeça fraca. Assim como Nick, esse novo status me subiu a cabeça e acabei colocando os pés pelas mãos diversas vezes. Obviamente, não no nível em que ele fez. Estou apenas tentando exemplificar que o perfil do Nick é facilmente encontrado por aí.

E quem nunca encontrou com uma Rachel? A típica "menina malvada", uma líder nata, dissimulada, que usa da sua boa aparência para conseguir o que quer. Uma legítima abelha rainha em que tem tudo e todos sempre aos seus pés? Como resistir ao charme e a influência de uma personalidade como a dela? Como não querer fazer parte do seu seleto grupo de amigos?

E Alexis e Tess? Meninas tão absolutamente comuns hoje em dia. Jovens altamente sexualizadas, preocupadas apenas com sua aparência e fúteis ao extremo. Tess, em sua pouca idade, já havia pousado para a Playboy online e seu sonho era ser uma coelhinha, assim como Andrea, mãe de Alexis, havia sido na sua juventude. Essas meninas retratam muito bem o conceito da "mulher objeto", aquele tipo de mulher sensual, que mexe com a fantasia dos homens e que é sexualmente ativa desde cedo, participando de orgias e adotando comportamentos extremamente nocivos.

Mas e por que encontramos jovens desse tipo cada vez mais? Por que eles têm se tornado tão comuns, quase como um padrão social? Nancy acredita que seja por causa da popularização das redes sociais e cita Paris Hilton como um exemplo, um ícone da ascensão à fama, de forma fácil e sem merecimento. Hoje, qualquer um que tenha internet pode se tornar famoso, nem que seja por 15 minutos. Esses jovens da Bling Ring, assim como muitos dos nossos jovens, cresceram num período em que as celebridades passaram a ser supervalorizadas pela mídia, assim como os seus padrões de vida e a sua riqueza. Estes jovens cresceram acreditando que este era o estilo de vida certo a ser alcançado, e se alguém como Paris conseguiu ficar famoso por causa de um vídeo postado no youtube, "qualquer um poderia".

Hoje, muitos adolescentes não sonham mais em ser médicos, advogados, dentistas, eles querem arranjar um emprego em que não se trabalhe muito, que não se faça muito esforço, mas que dê muito dinheiro. Eles querem ter poder de consumo, comprar carro do ano, celular ultra moderno e vestir o que há de mais chique. Eles querem ficar cada vez mais magros ou musculosos, de acordo com o padrão físico estabelecido. Agregando a esse contexto a cultura da vulgaridade, do consumismo extremo e da supervalorização da fama - cada vez mais veiculada pela mídia - temos como resultado a criação de crianças e adolescentes que são ou serão como estes da Bling Ring.

Além disso, as pessoas estão cada vez mais egocêntricas e narcisistas. Desde pequenos aprendemos a cultuar o "eu", nos colocando sempre em primeiro lugar em detrimento dos demais. "Eu" sou melhor, "eu" sou mais importante, "eu" sou o mais bonito, "eu" mereço, "eu" quero. E sinceramente, me choca ao pensar que até eu me enquadro em muitos desses padrões. Quantas vezes, em momentos egoístas, talvez até inconscientes, eu não quis que certa música fosse trocada porque "eu" não gosto, ou então que certa aula fosse adiada porque "eu" não poderia comparecer? E vocês? Nunca fizeram nada parecido, colocando os seus "eu" acima de qualquer um ou qualquer coisa sem nem se perguntar se o que estão fazendo está prejudicando algo ou alguém ao redor?

Nancy atribui esse tipo de comportamento ao "fenômeno princesa", tão incutido nas crianças de hoje em dia, principalmente nas mulheres. Que criança que não quer se sentir uma princesa, usar vestidos de tafetá e tiaras de plástico na cabeça? Crianças que geralmente ganham sempre tudo que pedem e crescem sem dar o mínimo valor a elas e ao esforço que seus pais fizeram para comprá-las. Crianças que aprendem que basta chorar, berrar, bater os pés para serem mimadas, ganharem atenção e tudo o que pedem. Crianças que crescem sem saber o que é um "não" e que não possuem o mínimo respeito pelas outras pessoas. Que valores essas crianças vão aprender e levar para a vida? Que todos os seus desejos podem e devem se tornar realidade não importa o quê? Que elas merecem nada menos do que um "felizes para sempre"? Mas essa é a realidade na qual vivemos? Não. Então, imaginem o choque de realidade vivido por uma criança dessas, que cresce sem base, vivendo literalmente num conto de fadas? E não adianta dizerem que isso não existe, basta ler o livro e olhar por aí, principalmente para dentro das salas de aula, que veremos inúmeras crianças com um "Reizinho mandão" dentro da barriga, sentindo-se os donos do mundo.

E não podemos esquecer a culpa dos pais!!! Sim, dos queridos pais ausentes, negligentes ou indulgentes. Ok, não serei hipócrita. Sei que na correria do dia-a-dia muitos pais, por causa de seus trabalhos, não conseguem controlar com quem seus filhos andam e o que fazem diariamente. Mas também existem aqueles pais que não dão a mínima para isso e, muitas vezes, para atenuarem as suas culpas, cedem a todos os desejos dos filhos "louvando cada rabisco e atenuando cada repreensão, inflando a avaliação que as crianças fazem de si mesmas, abrindo a porta para uma série de problemas, inclusive a "síndrome da dificuldade de sair de casa" (...)" Que tipo de filhos estamos criando para o mundo?
"(...) o comportamento demasiado condescendente dos pais pode levar a falhas de caráter nos filhos que lembram os sete pecados capitais (...), um sumário sucinto dos sintomas do narcisismo."
Voltando ao caso específico da Bling Ring, que tiveram seus comportamentos doentios agravados por morarem nada mais nada menos do que em Hollywood, um local em que absolutamente TODOS se preocupam com a sua imagem e são facilmente corrompidos pela fama. Se até o policial Goodkin foi capaz de se "vender" e participar do filme da Sofia Coppola, colocando em risco toda a investigação policial e, por consequência, sendo o responsável pelo abrandamento das penas dos condenados, simplesmente para desfrutar de minutos de fama, quem está livre disso?

Pergunto agora para vocês: Por que os integrantes da Bling Ring cometeram aqueles crimes e, se fossem seus filhos, o que vocês teriam feito para evitar o comportamento criminoso deles?

Vamos debater?

Aguardo participações!

Fiquem de olho porque amanhã trarei uma entrevista exclusiva que fiz com a autora do livro, Nancy Jo Sales. E no dia seguinte rolará uma promoção no blog. Não percam!

Beijos, Mi

Vamos debater - Projeto Esqueça um Livro

Olá pessoal, vocês já ouviram falar sobre o Projeto Esqueça um Livro? Recebi recentemente um email do Felipe Brandão divulgando o projeto e simplesmente fiquei encantada.

"Já faz algum tempo que o paulista Felipe Brandão anda cercado por livros, pessoal e profissionalmente. Por dois anos trabalhou em uma grande rede de livrarias e atualmente trabalha na área de marketing de uma editora de best-sellers. Em abril, percebeu que a estante de sua casa estava novamente cheia de títulos já lidos. Ao invés de comprar outro móvel para acumular mais livros, vender as edições em um sebo ou negociá-las em um site de trocas, optou pelo desapego, abandonando os livros pela cidade. Nasceu assim o projeto “Esqueça um Livro”. “A ideia é inspirada no conceito de BookCrossing, criado nos EUA no começo dos anos 2000”, explica. Combinando leitura e urbanidade, o conceito convida os leitores a deixar um livro em local público, para que outra pessoa o encontre, o leia, e volte a abandoná-lo, ampliando assim o acesso à leitura. Há diferentes versões do BookCrossing espalhadas por cidades do Brasil e do mundo. A base do “Esqueça um livro” é uma fanpage no Facebook. Nela, Felipe posta as fotos dos livros “esquecidos” por São Paulo, acompanhadas de uma breve sinopse e da indicação do local onde a edição foi deixada. “Sobre a Brevidade da Vida”, de Sêneca, foi o primeiro livro a ser abandonado no projeto, em 4 de abril,  numa janela cercada de plantas próximo à estação Marechal Deodoro do Metrô.  De lá pra cá, vários amigos e entusiastas passaram a colaborar com o projeto, “esquecendo” livros por São Paulo. Simples na teoria e na prática, o projeto não tem maiores intenções além de espalhar livros e difundir a leitura na cidade. “Quero que os livros cheguem até pessoas que não teriam condições de comprá-los”, deseja Brandão." Fonte.

Eu sei que esse assunto é muito polêmico e que divide a opinião de muitos leitores. Enquanto alguns entusiastas aderem ao projeto no intuito de ajudarem a disseminar o hábito e o acesso à leitura no nosso país, e ao exercício do desapego, outros não conseguem nem pensar na ideia de se desfazerem dos seus "preciosos".

Têm leitores que não admitem nem emprestar seus livros, porque no fundo sabem, correm um grande risco de nunca tê-los de volta, ou então de recebê-los seriamente avariados, já que ninguém cuida melhor dos nossos livros do que nós mesmos, certo?

Mas afinal, o que nos faz ser tão apegados a algo? De que adianta ter uma estante cheia de livros parados, muitas vezes nem lidos e que no final das contas cumprem apenas o papel de serem um item decorativo? Por que manter um livro guardado e fechado enquanto muitos poderiam lê-lo e compartilhar da alegria de conhecer uma nova história, viver uma nova aventura?

Ok, antes que me trucidem, eu entendo. É lindo ter uma estante cheia de livros coloridos decorando a nossa casa. É ótimo ter os livros que amamos ao alcance das nossas mãos, podendo ser lidos na hora em que quisermos. Pagamos fortunas pelos livros que compramos e eles são nossos e temos o total direito de ficarmos com eles e ninguém tem nada a ver com isso, né? Mas qual o propósito disso? Por que aprisioná-los fadando-os ao esquecimento?

A impressão que tenho é que aprendemos a ser assim desde criança. Aprendemos a cultuar o "meu" ao invés do "nosso". "Minha mãe", "meu brinquedo", "meu amigo", "meu namorado", "meu carro novo", "minha casa" e, como não poderia ser diferente, "meu livro".

E se cada um de nós fosse capaz de esquecer pelo menos um livro em algum lugar pela cidade, não ia ser o máximo? Imaginem a situação ao contrário. Imaginem estarem caminhando por aí quando dão de cara com um livro, olhando para vocês, perdido e sozinho, pedindo para ser levado para casa. Não ia ser o máximo? Eu ia me sentir como se tivesse tirado a sorte grande, afinal, um livro é o melhor presente que posso ganhar de alguém.

Faz um tempo que tinha ouvido falar de um projeto parecido em Porto Alegre e juro que tentei participar. Peguei um livro da minha estante, escrevi um cartãozinho e coloquei dentro dele e saí com ele por aí decidida a esquecê-lo no ônibus, mas eu não consegui!! Sim, por isso eu digo, eu entendo vocês, porque sou consumida pelos sentimentos contraditórios que existem dentro de mim: apego x desapego.

Mas na verdade nesse caso em específico eu não quis abandoná-lo por outros receios. Tive medo de que alguém me chamasse dizendo que eu havia esquecido meu livro (e como explicar para a pessoa que a intenção seria essa? Iam me achar uma louca), tive medo de que ninguém achasse o livro, ou de que o achassem e o jogassem no lixo, ou de que não o lessem, ou de que o lessem e não gostassem e o jogassem no lixo, ou de que simplesmente não entendessem o propósito do meu ato. Se eu pelo menos tivesse certeza de que quem fosse pegá-lo é alguém que ama livros tanto quanto eu, certamente esqueceria um livro por aí sem nenhum medo.

Enquanto isso, tomo atitudes mais prudentes, empresto meus livros para quem eu sei que vai lê-los e que não pode comprá-los. Tenho uma amiga em São Paulo, a Kelly, que por muitas vezes vinha para Porto Alegre e me trazia uma sacola de livros dela para eu ler e levava outra sacola de livros meus, e quando ela voltava, destrocávamos os livros e o processo se repetia. Por causa disso pude ler e conhecer inúmeros livros que talvez nunca teria tido a oportunidade de ler.

Fiz muito disso com outra amiga também, a Etiane, que tinha uma estante repleta de livros enquanto eu não tinha praticamente nenhum. Foi uma das minhas fases mais felizes como leitora. Ficava ávida para ler cada livrinho que ela me trazia e foi assim que eu li O Guardião de Memórias e A Menina que Roubava Livros (dois dos livros que mais amo), por exemplo, e por causa disso, serei sempre grata a ela e as pessoas desprendidas que emprestam seus livros para os outros.

Bom, como disse, esse assunto dá pano para manga, mas o Projeto está aí, apresentado para vocês, e a ideia foi dada. Confiram o vídeo abaixo e vejam a entrevista feita com Felipe Brandão

Aproveitem para também acessar a Fan Page do Projeto Esqueça um Livro e descubram onde vocês podem encontrar livros esquecidos pela cidade de São Paulo.


E aí, vamos debater? O que acharam dessa ideia?

Beijos

Vamos debater - Governo Proíbe Concursos Culturais nas Redes Sociais

Oi gente, a polêmica da vez gira em torno da proibição de sorteios em redes sociais feita recentemente pelo Governo. Uma leitora me perguntou sobre como o blog irá proceder a partir de agora e confesso que não tinha parado para pensar nisso antes, mas acho importante esclarecer o assunto para vocês. Obrigada pelo toque ;o)

Para quem não sabe, baixou uma portaria, nº 422/13, do Ministério da Fazenda, que vocês podem ler AQUI, proibindo a distribuição de prêmios nas redes sociais realizadas através de sorteios que envolvam o quesito "sorte". Além disso, também é proibido vincular promoções a datas comemorativas, obrigar o participante a assinar newsletter ou comprar produtos da promotora, entre outras coisas.

Pesquisei muito para entender a quem se aplica essas novas determinações, e na própria portaria ficou claro para mim que elas destinam-se a empresas, produtos, marcas, agências e promotoras de eventos. Em nenhum momento vi objeções referentes ao leitor, aos blogueiros e pessoas físicas, então ao meu ver, o blog não se enquadraria nessas restrições.

Em outros sites encontrei a informação de que eu poderia sortear produtos que são meus e que eu não queira mais, sem estarem vinculados a qualquer tipo de parceria. Então sabemos que isso poderei continuar fazendo sem problemas. Tenho vários livros que ganhei e que não vou ler, como é o caso de Profundamente Sua, que estou sorteando para vocês no Top Comentarista do Mês de Agosto, assim como muitas vezes compro livros para dar de presente para vocês, e isso pode, ok? Já fiz uma enquete na fan page perguntando se vocês gostariam que eu sorteasse livros meus, que já li e não quero mais, mas que não estejam danificados, e a maioria gostou da ideia. Então, vez que outra, terei livrinhos para presenteá-los por meio de sorteio, ok?

O que teoricamente não poderia? Fazer sorteios dos livros da Intrínseca, por ela ser parceira do blog! Imaginem que chato isso? Pois é. Então, por que disse teoricamente? Porque ao meu ver essa proibição não se aplica a mim, pessoa física, mas, escrevi para a Editora para ver se ela tem alguma orientação a me dar nesse sentido. Assim que eu receber o retorno eu aviso vocês. Se realmente eu ficar proibida de fazer sorteios de livros da Editora para vocês, irei mudar a modalidade das promoções e, ao invés de fazer sorteios baseados no quesito sorte, começarei a fazer promoções culturais, em que o vencedor será contemplado por merecimento (melhor foto, melhor texto, etc). Isso pode!

Lembrando que sorteios são diferentes de promoções culturais, ok? Leiam melhor a respeito AQUI.

O que pode? Divulgar as promoções nas redes sociais, apenas mencionar o nome do produto ou marca que está sendo distribuído gratuitamente, fazer concursos culturais, desportivos e recreativos.

Então não se desesperem. O sorteio dos livros da Promoção Romance nas Férias irá permanecer, pois todos os livros foram fornecidos por nós e comprados por nós, inclusive o livro Um Dia, mesmo sendo da Intrínseca, porque comprei ele meses antes de me tornar parceira. Então ambos os sorteios que estão sendo realizados no blog, no momento, estão de acordo com as novas regras.

Para as próximas promoções, irei pensar direitinho como proceder.

O que pensam sobre isso?

E se alguém souber de alguma outra informação que eu não saiba e quiser deixar nos comentários, fique à vontade, ok.

Beijos

Semana Neil Gaiman - Desvendando O Oceano no Fim do Caminho - Dia 7

Oi pessoal, esse post vai ser bem diferente, porque vou tentar analisar várias passagens do livro O Oceano no Fim do Caminho sob o meu ponto de vista. Não vou fazer isso porque sou pretensiosa ou entendedora da literatura de Gaiman a ponto de dizer o que cada metáfora representa. Quis fazer isso porque PRECISO discutir esse livro com alguém, nos mínimos detalhes. Porque como já disse, ele aflorou em mim diversos sentimentos e questionamentos e PRECISO expô-los para vocês.

ATENÇÃO, ESTE POST CONTÉM SPOILERS DO LIVRO O OCEANO NO FIM DO CAMINHO!! 

SE VOCÊ AINDA NÃO LEU O LIVRO, ACOMPANHE A RESENHA QUE FIZ SOBRE ELE AQUI!!

Então já adianto, esse post conterá muitos SPOILERS. Quem não se importa com isso, leia e opine. Quem já leu o livro, por favor, opine!! Quem não tiver lido e não curte spoilers, não precisa ler, mas peço, assim que terminarem a leitura de O Oceano no Fim do Caminho, voltem para debatê-lo comigo. Quero saber a opinião de todos sobre os pontos que irei levantar, ok. E se alguém quiser falar sobre mais alguma coisa sobre o livro, fique à vontade.

* O retorno a Sussex:

O início do livro foi bem perturbador e nostálgico para mim. Fiquei bebendo as palavras do texto de quando o protagonista volta para a cidade que cresceu e relembra das coisas que lá viveu. Por um lado parecia ser um tipo de resgate que ele tinha que fazer para seguir em frente. Por outro, ao final, descobrimos que ele habitualmente fazia isso sem se lembrar, então O Oceano no Fim do Caminho era como se fosse seu refúgio pessoal que ele ia quando se sentia perdido e precisava se encontrar.

Mas por que isso mexeu tanto comigo, vocês devem estar se perguntando! Porque recentemente passei por algo parecido. Durante mais de 10 anos vivi numa cidade que, depois de terminar a faculdade, saí e nunca mais voltei. Eu deletei todas as experiências que lá vivi como quem clica o botão de delete do computador. Foi assim, abruptamente. Mas assim como Neil, todas as lembranças ficaram guardadas em algum lugar da minha mente e do meu coração. E final do ano passado, resolvi regressar a essa cidade, resgatar minhas origens, reencontrar velhos amigos e foi tudo muito estranho e muito intenso. Realmente senti como se tivesse aberto um velho baú de velhas memórias e sentimentos. Como se tivesse aberto a caixa de Pandora. Tudo voltou, tudo fez sentido novamente. É como se tivesse recuperado uma parte de mim que estivesse adormecida e agora me sinto completa de novo. Senti tudo o que o narrador sentiu e isso deixou minhas emoções a flor da pele.

Alguém mais teve uma experiência parecida?

* A Pulga:

Gente, quem era a temida Governanta Úrsula que fora despertada por sentimentos mesquinhos do minerador de opalas? O bicho-papão? O diabo? Será que ela realmente existiu e teve um caso com o pai do protagonista, e essa foi a forma que ele encontrou de representá-la para tentar digerir a situação? Ou tudo não passou de fruto da imaginação dele?

Confesso que senti muito medo da Úrsula. Só o jeito dela falar, dela se portar, me dava calafrios. Para mim tem muito mais metáforas escondidas nessa personagem. Por fora ela representa uma pessoa comum, bem apessoada, cheia de qualificações profissionais, de quem todo mundo gosta. Mas por dentro ela é obscura, cheia de defeitos e desvios morais. Será que ela também não pode representar o lado mesquinho, egoísta e materialista que não queremos mostrar e reconhecer que temos?

O que vocês acham?

* Pai do narrador:

Acho que todos que leram o livro vão concordar que a cena da banheira é uma das mais fortes da história. É simplesmente desoladora, assustadora, impressionante. Acredito que isso não tenha acontecido de verdade, Neil não teria exposto seu pai a tal ponto. Mas o que será que essa cena representa? O afogamento de nossas aflições e temores? O impedimento de falarmos para o mundo o que de fato pensamos e sentimentos? Afinal, o menino era totalmente incompreendido e desacreditado pelos adultos, estava passando por sérios dilemas e estava sozinho, e ali, a única pessoa com a qual podia contar era seu pai, mas seu pai estava querendo matá-lo, afogá-lo. Para mim é como se o mundo adulto estivesse querendo matar a criança que existe em nós.

* Família Hempstock:

Durante todo o livro fiquei me perguntando, quem são as três mulheres Hempstock? São bruxas, são a representação da Santíssima Trindade, são espíritos, anjos, ou apenas retratam pessoas que tornaram a infância de Neil um pouco mais fácil de ser suportada? Bom, acho que ninguém será capaz de responder essa questão com total certeza, mas buscando na web, encontrei um comentário feito pela Anica que achei bem plausível:

"Você não precisa ter muito conhecimento de mitologia para ver que as Hempstock representam uma deusa tríplice, aqui na história acho que o mais preciso seria dizer que são as Moiras dos gregos, deusas do destino responsáveis por fiar, rolar e cortar o fio da vida dos homens. A donzela, a mãe e a anciã: uma trindade que se repete em outros mitos, como o das Fúrias, e a Hécate dos gregos ou mesmo a Morrigan dos celtas. E repete também uma figura conhecida em Sandman, que aparece já no primeiro arco, Prelúdios e Noturnos (repare na ilustração abaixo como Gaiman já brinca com a ideia de as três serem várias, e não só uma deidade):"
"E para os fãs do escritor: repararam que Hempstock é o sobrenome da Daisy de Stardust e da bruxa Liza do Livro do Cemitério? Parece que o Gaiman quer integrar seus livros aos poucos, com detalhes, assim como ele fez com Os Filhos de Anansi e Deuses Americanos. Com a continuação de Deuses Americanos sendo escrita é de se esperar mais referências cruzadas. E enquanto ele não sai O Oceano no Fim do Caminho é uma excelente adição à estante. Belo, profundo e contemplativo como o oceano." Fonte.

* Fazenda Hempstock e O Oceano:

No final da história descobrimos que o protagonista sempre cultivou o hábito de voltar até o Fim do Caminho quando se sentia perdido e sozinho, para contemplar O Oceano e se lembrar de Lettie e de tudo que passaram juntos, mas ele nunca se recordava das visitas que fazia, e a avó de Lettie repetia que eles já haviam tido aquelas conversas várias vezes. Estranho não? O que isso poderia significar?

Para mim parece ser tanta coisa, como um refúgio por exemplo, que vamos para nos acalmar, nos sentir seguro e clarear as ideias. Um local só nosso, onde temos acesso aos nossos reais sentimentos e as memórias mais esquecidas. Mas e o que significa o Oceano??

Por um lado pode representar a imensidão, o lado obscuro de nós mesmos, mas que ao mergulharmos em sua profundeza, temos a nossa alma lavada e tudo volta a ficar límpido como a água. Tem uma cena linda que é quando o narrador mergulha no Oceano, adentrando no balde trazido por Lettie. Ali ele relata que o oceano é um lugar que "é só conhecimento" e que ao olhar para dentro ele só veria "espelhos infinitos, olhando para o meu interior por toda a eternidade."

Mas por outro lado, não poderia representar a distância entre ele e Amanda, o vazio que ele estava sentindo no momento em que escrevia o livro? Pensem comigo: No livro, Lettie sempre esteve ao lado dele. Ele sempre sentiu-se seguro com ela, sempre confiou piamente nela e eles sempre tiveram uma relação de cumplicidade, apesar de, aparentemente, ele nunca a ter compreendido de fato e tido sempre a dúvida de como ela o enxergava. Ademais, a desculpa dada para os pais dele para o sumiço de Lettie fora que ela havia ido para a "Austrália", justamente o local em que Amanda se encontrava enquanto Neil escrevia o livro. Curioso, né?!

Se isso não fosse o bastante, bem no final da história, o narrador pergunta a avó de Lettie se poderia falar com ela (Amanda estava inacessível enquanto produzia seu álbum, lembram?) e ela responde que Lettie está "dormindo", se recuperando e que não fala ainda, pelo menos não até "terminar o que está fazendo lá". Ansioso, o protagonista quer saber quando será isso e a avó responde "Quando ela estiver bem e pronta.", e a mãe de Lettie responde "Logo". Então, no final das contas, será que Lettie é Amanda? O que vocês acham?

Espero que tenham gostado dos pontos abordados. Aguardo suas opiniões, ok?

E não deixem de acompanhar todos os posts que fiz sobre a Semana Neil Gaiman.

Beijos, Mi