Mostrando postagens com marcador Semana Neil Gaiman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Semana Neil Gaiman. Mostrar todas as postagens

Vencedora da Promoção O Oceano no Fim do Caminho

Oi gente, a Promoção O Oceano no Fim do Caminho terminou e acabei de fazer o sorteio do Kit. Depois de todos os problemas que deram, decidi divulgar a vencedora imediatamente, já que entendo que vocês ficam ansiosos para saber quem ganhou e para evitar mais confusão.

E a vencedora é a Mariana Siqueira!! Parabéns!!


Mari, já te enviei email e outros recados no face e no blog. Você tem 48 horas para me retornar com seus dados de envio, caso contrário, um novo sorteio será feito!

Beijos e obrigada pela participação de todos!

Semana Neil Gaiman - Entrevista com Neil Gaiman - Dia 8

Oi gente, hoje vou postar para vocês o resumo de várias entrevistas que vi, li e ouvi sobre Neil Gaiman. Uma das que mais gostei foi a que ele concedeu para a Mariella Frostrup, da Rádio BBC. Eu simplesmente amooo escutar o sotaque inglês e amei ouvir um trecho da história lido pelo próprio Neil (que voz linda), e justo de uma das partes que mais gosto no livro. Inclusive este trecho foi reproduzido no post de quotes que fiz sobre O Oceano no Fim do Caminho.

Nenhuma das entrevistas que acompanhei foram específicas sobre o lançamento de O Oceano no Fim do Caminho. Todas abordavam a carreira do autor como um todo. Vou resumi-las brevemente aos aspectos que nos interessam. Vocês podem ouvir o áudio da entrevista feita para a BBC AQUI.

Como já imaginávamos, Neil explica que não quis dar um nome ao seu protagonista porque O Oceano no Fim do Caminho é o resultado de uma exploração pessoal das memórias de sua própria infância, misturadas a um pouco de magia e fantasia. Porém, ele alerta, não leiam o livro como sendo algo literalmente autobiográfico, pois senão vocês se darão mal.

Gaiman dá como exemplo suas irmãs, que leram o livro enxergando-o sob perspectivas diferentes. Enquanto uma se deleitou com a história, se deixou levar pela jornada do narrador e considerou a obra como sendo uma das melhores que ele já escreveu; a outra se apegou aos fatos e descrições e ficou braba por considerar o livro todo uma mentira.

Neil se defende reafirmando que o livro não é uma apenas compilação de memórias, é uma história toda inventada. Seus pais e suas irmãs não passaram pelas coisas descritas no texto. Aquilo não passa de ficção.

O autor  novamente explica que o livro foi feito de presente para a sua esposa, num momento de saudade e solidão, quando Amanda foi para Austrália trabalhar em um novo álbum. Seu objetivo era pintar um panorama para que ela visse como ele enxergava o mundo aos 7 anos. Ele percebeu que o lugar que ele cresceu não era mais o mesmo, e quis mostrar para ela como as coisas eram naquela época, como era ser ele, uma criança louca por livros que vivia muito mais no mundo da imaginação do que na realidade. Que era capaz de subir em calhas de chuva só porque havia lido isso num livro.

Neil tentou criar uma história sobre alguém que fosse muito parecido com ele, que enxergasse as coisas como ele via, que compartilhasse dos terrores que ele sentia quando criança. Gaiman sempre foi uma pessoa muito imaginativa e criativa, que sentia muito medo de tudo. Medo do escuro, medo de sombras, de pessoas e lugares estranhos, assim como o narrador de O Oceano no Fim do Caminho, e hoje, esta criança medrosa que se considerava um covarde é o responsável por criar histórias tão fantásticas e assustadoras para nós.

Gaiman conclui que se acha uma pessoa de muita sorte por ter podido ter contato com livros quando criança. Os livros faziam parte da sua vida e ainda o fazem hoje. Nas férias escolares Neil persuadia seus pais a o deixarem na biblioteca local quando iam trabalhar, e lá ele ficava até a biblioteca fechar. Ele começou lendo todos os livros da sessão infantil em ordem alfabética e quando terminou, passou para a sessão de livros adultos.

Neil se considera um contador de histórias. Tudo o que ele mais gosta é contar histórias, independente do meio de comunicação, seja por meio de um livro, história em quadrinho, seriado, filme, etc.

Acompanhem comigo o vídeo abaixo, que mostra Neil lendo um outro trecho de O Oceano no Fim do Caminho. Outro que também amo. Mesmo quem não entende inglês, veja um pedacinho. Assim vocês irão conseguir se conectar melhor com a história e com o mundo criado por Neil, pois nada melhor do que ver e ouvir o próprio autor narrando seu próprio livro.



Falando em livros, quem aqui nunca teve vontade de escrever seu próprio livro, hein? Eu mesma já tentei escrever vários, mas nunca cheguei até o fim. Um dia irei realizar esse sonho!!

Aproveitando a oportunidade, transcrevo abaixo para vocês as 8 dicas de escrita dadas por Neil Gaiman. Aparentemente parecem ser dicas bem óbvias, mas acredito que elas contenham um fundo de verdade.
#1. Escreva.

#2. Escreva uma palavra depois da outra. Encontre a palavra certa, escreva-a.

#3. Termine o que você está escrevendo. Faça o que for preciso para terminar, e termine.

#4. Coloque o texto de lado. Leia fingindo que você nunca leu antes. Mostre-o a amigos cuja opinião você respeita e que gostem daquele tipo de coisa.

#5. Lembre-se: quando as pessoas dizem que algo está errado ou não funciona para elas, estão quase sempre certas. Quando dizem exatamente o que você está fazendo de errado e como corrigir, estão quase sempre erradas.

#6. Corrija. Lembre que, mais cedo ou mais tarde, antes que o texto fique perfeito, você precisa seguir em frente e começar a escrever a próxima coisa. Perfeição é como perseguir o horizonte. Continue escrevendo.

#7. Ria de suas próprias piadas.

#8. A principal regra da escrita é que, se escrever com segurança e confiança suficientes, você pode fazer o que quiser. (Essa pode ser uma regra para a vida, assim como para a escrita.) Então, escreva a sua história como ela precisa ser escrita. Escreva-a com honestidade e conte-a da melhor forma que você puder. Eu não sei com certeza se existem outras regras. Pelo menos, não as que importem…
Fonte.

***

E a Semana Neil Gaiman chegou ao fim!! Ahhh, que pena. Espero que todos tenham gostado e se divertido. Hoje à noite vai rolar o sorteio do Kit do livro e em breve divulgarei o resultado.

Se tiverem sugestões para fazermos outras Semanas Especiais aqui no blog, sou toda ouvidos. Já até estou com algumas ideias na minha cabeça.
Um obrigada especial a Editora Intrínseca, por me permitir fazer parte dessa Semana e por ceder os prêmios para o sorteio, sempre de forma tão atenciosa e solícita.

Grande beijo e fiquem de olho nos próximos posts que preparei para vocês sobre diversos assuntos, com muito carinho, como sempre!

Mi

Semana Neil Gaiman - Desvendando O Oceano no Fim do Caminho - Dia 7

Oi pessoal, esse post vai ser bem diferente, porque vou tentar analisar várias passagens do livro O Oceano no Fim do Caminho sob o meu ponto de vista. Não vou fazer isso porque sou pretensiosa ou entendedora da literatura de Gaiman a ponto de dizer o que cada metáfora representa. Quis fazer isso porque PRECISO discutir esse livro com alguém, nos mínimos detalhes. Porque como já disse, ele aflorou em mim diversos sentimentos e questionamentos e PRECISO expô-los para vocês.

ATENÇÃO, ESTE POST CONTÉM SPOILERS DO LIVRO O OCEANO NO FIM DO CAMINHO!! 

SE VOCÊ AINDA NÃO LEU O LIVRO, ACOMPANHE A RESENHA QUE FIZ SOBRE ELE AQUI!!

Então já adianto, esse post conterá muitos SPOILERS. Quem não se importa com isso, leia e opine. Quem já leu o livro, por favor, opine!! Quem não tiver lido e não curte spoilers, não precisa ler, mas peço, assim que terminarem a leitura de O Oceano no Fim do Caminho, voltem para debatê-lo comigo. Quero saber a opinião de todos sobre os pontos que irei levantar, ok. E se alguém quiser falar sobre mais alguma coisa sobre o livro, fique à vontade.

* O retorno a Sussex:

O início do livro foi bem perturbador e nostálgico para mim. Fiquei bebendo as palavras do texto de quando o protagonista volta para a cidade que cresceu e relembra das coisas que lá viveu. Por um lado parecia ser um tipo de resgate que ele tinha que fazer para seguir em frente. Por outro, ao final, descobrimos que ele habitualmente fazia isso sem se lembrar, então O Oceano no Fim do Caminho era como se fosse seu refúgio pessoal que ele ia quando se sentia perdido e precisava se encontrar.

Mas por que isso mexeu tanto comigo, vocês devem estar se perguntando! Porque recentemente passei por algo parecido. Durante mais de 10 anos vivi numa cidade que, depois de terminar a faculdade, saí e nunca mais voltei. Eu deletei todas as experiências que lá vivi como quem clica o botão de delete do computador. Foi assim, abruptamente. Mas assim como Neil, todas as lembranças ficaram guardadas em algum lugar da minha mente e do meu coração. E final do ano passado, resolvi regressar a essa cidade, resgatar minhas origens, reencontrar velhos amigos e foi tudo muito estranho e muito intenso. Realmente senti como se tivesse aberto um velho baú de velhas memórias e sentimentos. Como se tivesse aberto a caixa de Pandora. Tudo voltou, tudo fez sentido novamente. É como se tivesse recuperado uma parte de mim que estivesse adormecida e agora me sinto completa de novo. Senti tudo o que o narrador sentiu e isso deixou minhas emoções a flor da pele.

Alguém mais teve uma experiência parecida?

* A Pulga:

Gente, quem era a temida Governanta Úrsula que fora despertada por sentimentos mesquinhos do minerador de opalas? O bicho-papão? O diabo? Será que ela realmente existiu e teve um caso com o pai do protagonista, e essa foi a forma que ele encontrou de representá-la para tentar digerir a situação? Ou tudo não passou de fruto da imaginação dele?

Confesso que senti muito medo da Úrsula. Só o jeito dela falar, dela se portar, me dava calafrios. Para mim tem muito mais metáforas escondidas nessa personagem. Por fora ela representa uma pessoa comum, bem apessoada, cheia de qualificações profissionais, de quem todo mundo gosta. Mas por dentro ela é obscura, cheia de defeitos e desvios morais. Será que ela também não pode representar o lado mesquinho, egoísta e materialista que não queremos mostrar e reconhecer que temos?

O que vocês acham?

* Pai do narrador:

Acho que todos que leram o livro vão concordar que a cena da banheira é uma das mais fortes da história. É simplesmente desoladora, assustadora, impressionante. Acredito que isso não tenha acontecido de verdade, Neil não teria exposto seu pai a tal ponto. Mas o que será que essa cena representa? O afogamento de nossas aflições e temores? O impedimento de falarmos para o mundo o que de fato pensamos e sentimentos? Afinal, o menino era totalmente incompreendido e desacreditado pelos adultos, estava passando por sérios dilemas e estava sozinho, e ali, a única pessoa com a qual podia contar era seu pai, mas seu pai estava querendo matá-lo, afogá-lo. Para mim é como se o mundo adulto estivesse querendo matar a criança que existe em nós.

* Família Hempstock:

Durante todo o livro fiquei me perguntando, quem são as três mulheres Hempstock? São bruxas, são a representação da Santíssima Trindade, são espíritos, anjos, ou apenas retratam pessoas que tornaram a infância de Neil um pouco mais fácil de ser suportada? Bom, acho que ninguém será capaz de responder essa questão com total certeza, mas buscando na web, encontrei um comentário feito pela Anica que achei bem plausível:

"Você não precisa ter muito conhecimento de mitologia para ver que as Hempstock representam uma deusa tríplice, aqui na história acho que o mais preciso seria dizer que são as Moiras dos gregos, deusas do destino responsáveis por fiar, rolar e cortar o fio da vida dos homens. A donzela, a mãe e a anciã: uma trindade que se repete em outros mitos, como o das Fúrias, e a Hécate dos gregos ou mesmo a Morrigan dos celtas. E repete também uma figura conhecida em Sandman, que aparece já no primeiro arco, Prelúdios e Noturnos (repare na ilustração abaixo como Gaiman já brinca com a ideia de as três serem várias, e não só uma deidade):"
"E para os fãs do escritor: repararam que Hempstock é o sobrenome da Daisy de Stardust e da bruxa Liza do Livro do Cemitério? Parece que o Gaiman quer integrar seus livros aos poucos, com detalhes, assim como ele fez com Os Filhos de Anansi e Deuses Americanos. Com a continuação de Deuses Americanos sendo escrita é de se esperar mais referências cruzadas. E enquanto ele não sai O Oceano no Fim do Caminho é uma excelente adição à estante. Belo, profundo e contemplativo como o oceano." Fonte.

* Fazenda Hempstock e O Oceano:

No final da história descobrimos que o protagonista sempre cultivou o hábito de voltar até o Fim do Caminho quando se sentia perdido e sozinho, para contemplar O Oceano e se lembrar de Lettie e de tudo que passaram juntos, mas ele nunca se recordava das visitas que fazia, e a avó de Lettie repetia que eles já haviam tido aquelas conversas várias vezes. Estranho não? O que isso poderia significar?

Para mim parece ser tanta coisa, como um refúgio por exemplo, que vamos para nos acalmar, nos sentir seguro e clarear as ideias. Um local só nosso, onde temos acesso aos nossos reais sentimentos e as memórias mais esquecidas. Mas e o que significa o Oceano??

Por um lado pode representar a imensidão, o lado obscuro de nós mesmos, mas que ao mergulharmos em sua profundeza, temos a nossa alma lavada e tudo volta a ficar límpido como a água. Tem uma cena linda que é quando o narrador mergulha no Oceano, adentrando no balde trazido por Lettie. Ali ele relata que o oceano é um lugar que "é só conhecimento" e que ao olhar para dentro ele só veria "espelhos infinitos, olhando para o meu interior por toda a eternidade."

Mas por outro lado, não poderia representar a distância entre ele e Amanda, o vazio que ele estava sentindo no momento em que escrevia o livro? Pensem comigo: No livro, Lettie sempre esteve ao lado dele. Ele sempre sentiu-se seguro com ela, sempre confiou piamente nela e eles sempre tiveram uma relação de cumplicidade, apesar de, aparentemente, ele nunca a ter compreendido de fato e tido sempre a dúvida de como ela o enxergava. Ademais, a desculpa dada para os pais dele para o sumiço de Lettie fora que ela havia ido para a "Austrália", justamente o local em que Amanda se encontrava enquanto Neil escrevia o livro. Curioso, né?!

Se isso não fosse o bastante, bem no final da história, o narrador pergunta a avó de Lettie se poderia falar com ela (Amanda estava inacessível enquanto produzia seu álbum, lembram?) e ela responde que Lettie está "dormindo", se recuperando e que não fala ainda, pelo menos não até "terminar o que está fazendo lá". Ansioso, o protagonista quer saber quando será isso e a avó responde "Quando ela estiver bem e pronta.", e a mãe de Lettie responde "Logo". Então, no final das contas, será que Lettie é Amanda? O que vocês acham?

Espero que tenham gostado dos pontos abordados. Aguardo suas opiniões, ok?

E não deixem de acompanhar todos os posts que fiz sobre a Semana Neil Gaiman.

Beijos, Mi

Semana Neil Gaiman - Quotes de O Oceano no Fim do Caminho - Dia 6

Oi amores.. e a Semana Neil Gaiman vai ser aproximando do fim. Além deste, farei mais outros dois posts sobre o autor e o livro. Espero que estejam gostando e não esqueçam de conferir tudo que já escrevi e participar da super promoção que está rolando!!

Hoje quero dividir com vocês alguns quotes de O Oceano no Fim do Caminho. Citações que amei e que tiveram um significado especial para mim.

Quem não curte saber muitos detalhes de um livro que ainda não leu e considera as citações como spoilers, fiquem à vontade para não lê-las, ok!!

"Quando envelhecemos, ficamos iguais aos nossos pais; viva o suficiente e verá os rostos se repetirem com o tempo."

"Mas ali, naquela saleta, tudo estava voltando. As lembranças estavam à espreita nos arredores das coisas, acenando para mim. Se você me dissesse que eu tinha novamente sete anos, por um breve instante eu quase poderia acreditar."

"Para onde ela foi? Estados Unidos? Não, Austrália. Era isso. Algum lugar bem longe. E não era mar. Era oceano. O oceano de Lettie Hempstock. Lembrei-me disso, e, ao lembrar, lembrei-me de tudo."

"Eu não era uma criança feliz, ainda que, de vez em quando, ficasse contente. Vivia nos livros mais que em qualquer outro lugar."

"Nos sonhos eu também falava aquela língua, a língua original, e tinha domínio sobre a natureza de tudo o que era real. No meu sonho, aquela era a língua do que é, e tudo o que fosse falado nela se tornava realidade, porque nada dito com ela pode ser mentira. A língua é o fundamento da construção de tudo. Nos meus sonhos, eu usei esse idioma para curar os doentes e para voar; uma vez sonhei que tinha uma pousada à beira-mar, e para todo mundo que se hospedava lá eu dizia, naquela língua, "Sê inteiro", e eles se tornavam inteiros, e não pessoas fragmentadas, não mais, porque eu havia falado a língua da criação."

"E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões..."

"Desde pequeno eu sempre pegava várias ideias emprestadas dos livros. Eles me ensinaram quase tudo o que eu sabia sobre o que as pessoas faziam, sobre como me comportar. Eram meus professores e meus conselheiros."

"Eu adorava mitos. Não eram histórias para adultos e não eram histórias para crianças. Eram melhores que isso. Simplesmente eram."

"- Aposto que essa não é sua aparência de verdade - falei. (...)
- Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo."

" (...) - Vou dizer uma coisa importante para você. Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho. (...)"

" (...) - Pessoas diferentes se lembram das coisas de jeitos diferentes, e você nunca vai ver duas pessoas se lembrando de uma coisa da mesma forma, estivessem elas juntas ou não. (...)"

"(...) e soube que mesmo estando num lugar que era só conhecimento, aquela era a única coisa que eu não saberia. Se eu olhasse para dentro só veria espelhos infinitos, olhando para o meu interior por toda a eternidade."

"As correntes oceânicas deslocavam meu cabelo e minhas roupas como brisas de verão. Eu não sentia mais frio, sabia tudo, não estava mais com fome e o mundo grande e complicado era simples, compreensível e fácil de desvendar. Eu ficaria aqui até o fim dos tempos, num oceano que era o universo que era a alma que era tudo o que importava. Eu ficaria aqui para sempre."

Vou parar por aqui, senão vou acabar transcrevendo o livro todo!! kkk Quem já tiver lido O Oceano no Fim do Caminho e quiser contribuir com o post, coloque aqui nos comentários a sua quote favorita!

Beijos e até amanhã.

Semana Neil Gaiman - Curiosidades sobre O Oceano no Fim do Caminho - Dia 5

Oi pessoal, hoje vamos descobrir algumas curiosidades sobre o livro O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman.

Todos já sabem que o livro foi escrito de presente para a esposa de Neil, Amanda. Quem não sabe, confiram os outros posts que escrevi sobre a Semana Neil Gaiman, em especial o post Mergulhando em O Oceano no Fim do Caminho.

Neil revelou para o jornal inglês The Guardian que "Ela (Amanda) não gosta muito de fantasia, mas gosta de mim. Então, resolvi escrever sobre o cenário onde cresci a partir de uma versão mirim de mim."

Segundo o jornal O Globo, Neil "— Queria escrever um conto para mandar para ela, para mostrar como estava com saudade — explica Gaiman. — A ideia original era que fosse mesmo uma história curta apenas para mandar para minha mulher. Mas fui escrevendo e escrevendo, e logo percebi que não tinha mais um conto ali, mas uma novela. Então avisei a meu editor que estava fazendo uma novela, e ele pediu para ler. Eu havia escrito tudo à mão e fui digitar o que já estava pronto. Foi só aí, quando fiz a contagem de palavras no computador, que percebi que era um romance."

Portanto, antes que perguntem, sim, o livro é um pouco autobiográfico e contém relatos da infância vivida por Neil. Mas até que ponto? Isso não fica exatamente claro, já que ele também mistura um pouco de ficção e fantasia na obra.

"— Não é que a história do livro tenha acontecido de fato, é claro que não aconteceu. Mas, tendo dito isso, eu gostei da possibilidade de escrever algo a partir do meu ponto de vista, como se eu ainda fosse um menino de 7 anos. Muito do que está ali é fruto das minhas próprias lembranças — conta Gaiman." Fonte.

Como existem diversas cenas fortes no livro que envolvem a família do protagonista, Gaiman fez questão de frisar nos agradecimentos do livro que a família retratada na história não é a dele, que "foi benevolente ao permitir que eu remodelasse a paisagem da minha própria infância e que observou enquanto eu deliberadamente transformava esses lugares em uma história."

No que diz respeito ao público alvo, tenho reparado que muitas resenhas na blogosfera têm criticado o fato do livro ter sido catalogado como sendo um livro para adultos, dizendo que ele pode ser lido por qualquer idade. Ok, concordo em parte. Ao ler o livro, muitos podem pensar de que se trata de um livro infanto-juvenil, como Coraline, por exemplo, por conter tanta fantasia. Apesar de estarem presentes no enredo algumas cenas de sexo e nudez, não acho que foi isso o que caracterizou o romance como "adulto" e muito menos seriam empecilhos para os mais jovens lerem (basta ligar a TV para termos acesso a coisas piores).

Na minha opinião, o livro traz tantas metáforas e um convite tão explícito para revivermos as nossas memórias que talvez os mais jovens não tivessem bagagem suficiente para compreender, limitando a leitura a um mero entretenimento e pulando a parte toda da reflexão levantada por Neil.

Gaiman se manifestou a respeito, na entrevista que deu ao jornal do O Globo: "— Não me preocupei se era uma história para crianças ou para adultos, sobre o que poderia ou não colocar ali. Mas não acho que o livro tenha sido feito para crianças. Ele tem mágica e aventura, e tem também uma criança como protagonista, mas trata de situações mais sombrias — explicou Gaiman, em entrevista por telefone. — É fácil ver a diferença. Por exemplo, eu acabei de fazer um livro infantil, que vai ser lançado daqui a alguns meses e se chama “Fortunately, the milk”. Nesse livro, o herói é um adulto que lida com os paradoxos das viagens no tempo e conta piadas. Mas ele é definitivamente infantojuvenil, das coisas mais absurdas que já escrevi. Então quero dizer que não é somente um tema que define o público de um livro. “O oceano...” e esse “Fortunately...” são como reflexos bizarros no espelho, um mais sombrio e outro mais leve."

Complementando, cito um trecho retirado do blog LiteraTortura:

"(...) Eu pensei – não é uma história infantil mesmo – e uma das grandes razões pelo qual não é uma história de crianças é, eu sinto que boas histórias infantis sejam muito sobre esperanças. No caso de O Oceano no Fim do Caminho, é um livro sobre desamparo. É um livro sobre família, é um livro sobre ter 7 anos num mundo em que as pessoas são maiores que você, e mais perigosas, e entrar num território que você não compreende.”

O Oceano no Fim do Caminho já teve seus direitos vendidos para o estúdio Playtone e vai virar filme com direção de Joe Wright, juntando-se a muitos dos projetos do diretor que vão parar nas telas. É por essas e outras que Gaiman é um dos poucos autores do mundo cultuado como uma estrela do rock.

Mas para os fãs, nada disso importa. O que eles mais prezam, além de seu trabalho tão bem produzido com textos extremamente inteligentes, é o carinho que Neil tem para com eles, que pode ser representado, por exemplo, nos 1.200 exemplares ingleses autografados à mão, pacientemente, por Gaiman. Quem faz algo do tipo hoje em dia? Tem que ter muito amor, né? 



E para quem não acredita que foi ele quem assinou os 1.200 exemplares, confiram o vídeo abaixo!!


Continuem acompanhando a Semana Neil Gaiman e fiquem por dentro das novidades.

Beijos e até amanhã.

Semana Neil Gaiman - Mergulhando em O Oceano no Fim do Caminho - Dia 4

Oi pessoal, curtindo a Semana Neil Gaiman? Não deixem de conferir os outros 3 posts que fiz sobre o autor e sobre seu mais novo livro: O Oceano no Fim do Caminho, e participem da promoção e concorram ao Kit do livro!!

Hoje vou convidá-los para conhecer os bastidores de O Oceano no Fim do Caminho e descobrir como e por que o livro foi feito!!

Ao pesquisar sobre Gaiman na web, cheguei até o blog da Amanda Palmer, sua esposa, e pude ler um post imenso que ela fez sobre o livro O Oceano no Fim do Caminho e sobre o casamento deles.
Amanda nos conta que alguns anos atrás, quando ela e Neil estavam na Austrália se recuperando de uma corrida no parque, caminhando bem devagar e saboreando o momento em silêncio, começou a compor uma música em sua cabeça, quando Neil bateu no seu braço e disse que tinha uma coisa que queria dizer a ela, algo muito pessoal e que queria dividir.

Ela disse "sim", mas perguntou se ele não podia esperar, porque estava no meio de uma composição e com aquela música presa na cabeça e queria poder chegar em casa logo e tocá-la no piano para não esquecer. Eles estavam a quatro quadras de casa. Ele concordou, mas ficou mudo depois disso.

Uma hora mais tarde, quando ela já estava acessível novamente, percebeu que ele tinha fugido para o seu "mundinho" particular e que não ia mais voltar, e que ela ia ficar sem saber a história que ele queria contá-la. Ela implorou para que ele dissesse. Ele disse "não, o momento passou". Amanda se sentiu culpada, egoísta e estúpida. A gente não consegue recuperar esses momentos, eles nunca voltam uma vez perdidos e muitas vezes somos idiotas o suficiente para não compreendê-los e deixá-los passar. Amanda percebeu que havia colocado seu trabalho acima do seu marido, podendo quiçá comprometer sua relação.

Mas ao mesmo tempo, Amanda ficou fula da vida pensando no por que estava sendo punida se ela, assim como ele, também era uma artista e também tinha direito a ter momentos de inspiração. "Por que você não me ama?", ela pensou. 

A questão é, ambos sempre estiveram muito acostumados a ter controle sobre seus pensamentos, seu tempo, seu domínio criativo. Estiveram sozinhos por muito tempo e administrar uma vida de casado nem sempre é fácil. É bonito na teoria, mas na prática, é difícil, pois tem de haver todo um manejamento de atividades e horas livres, bem como uma flexibilidade por parte do casal, e naquela época, naquele contexto, Neil se sentiu rejeitado por não ter tido atenção da esposa na hora em que quis. Hoje, Amanda diz que não se arrepende de ter feito o que fez, porque se não o tivesse feito, O Oceano no Fim do Caminho talvez não tivesse sido escrito e entregue de presente para nós.

Pouco tempo depois, com a relação ainda um pouco estremecida pelo ocorrido, Neil resolveu voltar para os Estados Unidos enquanto Amanda permaneceu na Austrália para trabalhar no seu álbum. Atualmente, Amanda percebe o quanto foi difícil para Neil ficar longe dela durante o tempo em que ela esteve trabalhando na Austrália. Amanda ficou totalmente focada no trabalho, tão mergulhada que deixou todos de lado, e isso foi extremamente prejudicial para o seu casamento.

Enquanto Amanda havia se transformado numa esposa "zumbi", Neil começou a trabalhar num conto. O conto não se tratava apenas de uma mistura de memórias, mas de um presente para a sua esposa, ali estava a história que nunca havia sido compartilhada no dia em que eles corriam no parque na Austrália!!

E foi isso.. enquanto Amanda gravava seu álbum, Neil desatou a escrever uma sequência de palavras que transbordavam do seu coração por causa do vazio e da distância que se instalou entre eles. Depois de aproximadamente 1 mês, Neil e Amanda se encontraram em Texas para passarem uma semana juntos. Ele chegou até ela e disse "Eu acidentalmente escrevi um livro inteiro. Posso lê-lo para você?". "Sim", ela disse, e dessa vez ela escutou a história toda.

Neil havia escrito o livro à mão, capítulo por capítulo, como se fosse um escrito de um diário e teve que passá-lo para o computador, aproveitando as horas livres enquanto Amanda trabalhava no estúdio de mixagem. À noite, quando ambos chegavam em casa, Neil lia para Amanda o que ele tinha digitado.

"Foi uma longa e aterrorizante história. Foi uma linda história. Foi uma estranha história, misturando realidade com ficção de uma forma que me senti completamente mundana. Ele leu e leu e eu as vezes caía no sono. De manhã Neil me perguntava: "Qual é a última coisa da qual você se lembra?". A escova de dentes, eu diria, (...) ou Lettie aparecendo com o balde... e um pouco mais depois disso. E ele então recomeçava, lendo algumas páginas anteriores e me lia a história até terminar o capítulo. E ele fez isso, noite após noite, até terminar a história toda."

Eu achei muito engraçado porque Amanda disse que apesar de ter gostado da história, não conseguiu entender todos os significados apresentados no livro.

"Eu não sei. Talvez eu tenha levado tudo muito ao pé da letra. Essa ideia me aterroriza. Eu cresci numa atmosfera sem metáforas (...). Eu fico frustrada quando não consigo juntar os pontos. Quando finalmente chegaram as provas do livro, eu pude lê-lo em poucos instantes, com meus próprios olhos. Lê-lo, não ouvi-lo. E tudo passou a fazer sentido. Eu chorei muito. E mesmo assim, eu continuei sem compreender a história. Um dia, quando estávamos caminhando e conversando sobre o livro, eu fiz a ele uma pergunta sobre um dos simbolismos da história (...) Ele parou e olhou para mim e zombou de mim. Então ele preencheu os espaços em branco e conectou todas as pontas soltas. Eu o amei tanto naquele momento. E por um segundo, uma fração de segundo, eu me tornei fã de Neil Gaiman. (...) E por amá-lo como eu o amo, espero que vocês leiam o que li, e vejam o que eu vi, isto: um lugar obscuro onde homem e escritor se fundem em um só (...) misturados como ingredientes em um liquidificador que ao mexê-lo você consegue ver o todo, (...) como uma alma tão frágil, tão humana e tão vulnerável que você deve amar independente do que esteja lá, incondicionalmente, porque você não tem outra opção. Os ingredientes são absurdamente bonitos."

Impossível não nos emocionarmos com um relato desses, né?! Li o post da Amanda antes de ler O Oceano no Fim do Caminho e não pude saboreá-lo com imparcialidade ao saber que se tratava de uma belíssima história de amor e de entrega, dele para a sua amada Amanda.

Quem quiser ler o post completo escrito pela Amanda, clique AQUI. Eu o traduzi da melhor forma que pude.

Espero que tenham gostado de saber um pouco mais sobre a origem do livro.

Beijos e até amanhã!!

Promoção - O Oceano no Fim do Caminho

Olá pessoal, estão curtindo a Semana Neil Gaiman? Preparados para mais uma promoção? Essa será bem rápida, com uma curta duração, portanto, não percam!!

Dia 18/06 a Intrínseca lançou o novo livro do Neil Gaiman, chamado O Oceano no Fim do Caminho. O primeiro romance adulto do autor desde 2005. Esse livro está dando o que falar, sendo extremamente elogiado pela crítica literária.

CONFIRAM A RESENHA QUE FIZ SOBRE ELE AQUI.

Para comemorar esse super lançamento, o blog em parceria com a Editora Intrínseca irá sortear um fabuloso Kit do livro!!

PRÊMIOS:

1 Kit de O Oceano no Fim do Caminho, contendo:

* 1 exemplar do livro O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman;
* 1 envelope com gel;
* 1 copo decorativo;
* 2 moedas.

Quem vai querer??

Para participar é fácil, vocês devem preencher o formulário abaixo e cumprir as regras obrigatórias.

REGRAS OBRIGATÓRIAS:
1. Informar um email válido para eu entrar em contato;
2. Seguir o blog publicamente pelo GFC (Google Friend Connect - fica na aba lateral direita do blog);
3. Curtir a fan page do Recanto da Mi no facebook;   
4. Comentar na resenha de O Oceano no Fim do Caminho. Deixe um comentário válido, pertinente ao livro. Não serão aceitos comentários como: "eu quero, participando, etc".

Ao cumprir os requisitos obrigatórios, o formulário do rafflecopter vai abrir para vocês mais outros campos que poderão ser preenchidos. Esses novos campos são opcionais. Vocês não são obrigados a preenchê-los. Eles existem apenas para que vocês tenham chances extras no sorteio!!

Quem não souber como usar o formulário do rafflecopter, o blog Somos Criativos fez um tutorial ensinando.
a Rafflecopter giveaway
PARTICIPANTES, FIQUEM ATENTOS ÀS INFORMAÇÕES ABAIXO: 

1. Período de duração da promoção: 28.06.2013 à 03.07.2013;
2. O vencedor terá 2 dias para responder o e-mail que eu enviar a partir da divulgação do resultado, senão, será desqualificado e um novo sorteio será realizado;
3. O kit será enviado para o vencedor em até 30 dias pela Editora Intrínseca;
4. O resultado da promoção será divulgado no dia 04/07/2013 e será atualizado nesta postagem.

Beijos e Boa Sorte!

Semana Neil Gaiman - Resenha O Oceano no Fim do Caminho - Dia 2


"Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano."

Oi pessoal, estão gostando da Semana Neil Gaiman? Hoje trago para vocês a resenha do novo livro de Neil: O Oceano no Fim do Caminho, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca.

O livro começa com um homem voltando a sua cidade natal para ir a um velório. O simples retorno àquela pacata região fez com que suas lembranças eclodissem e clareassem. Todo o sofrimento vivido em sua infância, suas dúvidas, temores, esperanças estavam novamente ali, dentro de si, mexendo com seus sentimentos. Ele sabia o que tinha que fazer, a única coisa que podia fazer e que tinha algum sentido, que poderia lhe acalmar, lhe devolver a sensação de segurança: ir até o fim do caminho e chegar no Oceano, no Oceano de Lettie.

E sim, desculpem, isso é tudo que posso falar para vocês. Não posso me atrever a contar mais nada, porque contar pequenos fragmentos da história não lhes faria nenhum sentido, e contar a história toda lhes estragaria o prazer de uma boa leitura!! Vocês terão que ficar satisfeitos com a sinopse (que já diz muito) e com meu breve relato acima.

***

Mas sim, tem algo que posso fazer por vocês, dizer o que penso a respeito do livro e o que senti ao lê-lo. Para quem não sabe, esse livro possui diversas peculiaridades que pretendo explorar em outro post, mas já adianto que uma delas se refere ao fato de que ele é autobiográfico. Em O Oceano no Fim do Caminho, Neil nos conta um pouco sobre a sua infância, sob o olhar de um menino de 7 anos que vivia num mundo estranho de adultos que não o compreendia, solitário, sem amigos e cheio de medos.

Neil misturou fatos verídicos a uma fantasia obscura que me fez lembrar de sua outra obra, Coraline. O início da história é muito nostálgico e melancólico, porque retrata o adulto retornando às suas raízes e confrontando as experiências vividas quando criança, experiências essas que o transformaram no adulto que ele é hoje. 

Me fez pensar no poder que o passado exerce sobre nós, afinal, nós somos quem somos por tudo que passamos e nunca deixaremos de ser quem fomos (confuso? mas é verdade! Neil nos ensina isso no livro). É incrível como somos capazes de guardar memórias. As guardamos tão bem guardadas que depois nem lembramos onde as escondemos. Mas basta um pequeno sinal, um cheiro, uma música, uma ínfima faísca para que elas se libertem, como um estouro de uma manada, ou como balões cheios de gás querendo alcançar o céu. 

Uma vez feito isso, é como se elas nunca tivessem ido embora. Magicamente as memórias adormecidas preenchem novamente o nosso ser e se reintegram ao nosso eu. E juntamente com elas experimentamos uma explosão e profusão de sentimentos tão difíceis de suportar que nos faz questionar até que ponto tudo o que um dia vivemos foi real ou se tudo não passou do fruto da nossa imaginação. E foi exatamente isso que aconteceu com nosso protagonista, que após abrir o velho baú onde guardava suas memórias infantis, nos convidou a explorá-las e a embarcar numa mágica e assustadora aventura.

Recentemente escutei uma frase, ao assistir o seriado Da Vincis Demons, que me marcou: "O tempo é um rio. Mas o que a maioria não compreende é que o rio é circular", ou seja, nós sempre voltamos para onde viemos, e na minha opinião, foi exatamente o que aconteceu com o protagonista da história. A volta para a sua cidade da infância representa a volta ao seu passado, ao âmago do seu ser, para que ele enfim possa completar mais um ciclo da sua vida e seguir adiante.

Muitas vezes podemos não gostar do resultado "final" em que nos encontramos, eis que os adultos constantemente tentam se satisfazer com estímulos externos, seja buscando a realização de algum ato grandioso que lhes dê notoriedade ou mendigando pelo reconhecimento e aceitação dos outros. E definitivamente não é assim que as crianças funcionam. Essa passagem é praticamente a primeira metáfora explorada por Neil no livro e acho que foi a que mais mexeu comigo: o retorno as nossas origens, o confronto com o nosso verdadeiro eu: a nossa essência.

É difícil dar um significado às metáforas apresentadas no enredo, pois cada um vai interpretá-las de acordo com a sua própria bagagem, e Neil sabia muito bem disso. Por isso que ele deixou os significados do livro, ou a moral da história em aberto, para que cada um pudesse entendê-las de uma forma muito particular. 

Ao mesmo tempo em que Neil escrevia uma história para si e sobre si, ele também escrevia uma história para a gente e sobre a gente, em que cada um pudesse se identificar e incorporar de maneira única o protagonista. Não foi a toa que ele não deu nome ao personagem principal, afinal, ele é o Neil, mas podia ser qualquer um de nós.

Quanto mais tento dar significado ao livro, mais me perco nas minhas indagações. Ele é tudo! Estou tão absorta pela história até agora e em tudo que vivi paralelamente lendo linha por linha que ainda não voltei ao mundo real, e espero que nem volte. No final a gente percebe que o livro não é para ser lido com a razão, não devemos investigá-lo tentando descobrir o porquê de cada detalhe que Neil pôs ali e por que da história ser do jeito que é, ou o que é real e o que é ficção, como se estivéssemos dissecando uma rã na aula de anatomia. Ele é... simples assim. 

Portanto, não se preocupem se por ventura vocês deixarem de entender algo que o Neil quis nos dizer. O livro muitas vezes vai parecer confuso e sem significado, mas de repente tudo fica claro dentro da gente. E se ainda assim vocês não encontrarem o seu Oceano ao ler a história, não se desesperem. Tentem apenas curti-la e agradeçam por esse imenso presente que nos foi dado.

Mas devo alertá-los. Nesta história nos depararemos com muita fantasia: monstros, bruxas, sonhos, coisas sem sentido e terror sobrenatural. Teremos que passar por cada uma dessas etapas metafóricas até chegar ao nosso destino, O Oceano no Fim do Caminho. Porém, sei que nem todos são chegados nesse estilo literário, então para vocês meus caros, não sei se recomendaria essa leitura. Mas, para aqueles que não precisam de muito estímulo para se render a uma incrível jornada, por favor, subam logo a bordo e desfrutem dessa maravilhosa viagem sem fim.

Gostaram da resenha? Então não deixem de participar da super promoção que está rolando no blog até dia 03/07/13 e concorram a um Kit do livro O Oceano no Fim do Caminho!!

O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman
Editora Intrínseca
208 páginas
Comprar: Submarino / Saraiva