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Semana Bling Ring - Promoção do livro Bling Ring: A Gangue de Hollywood - Dia 7

Nancy Jo Sales
Oi gente, e hoje chegamos ao fim. Este é o último post da Semana Bling Ring. Espero que tenham gostado. Não deixem de acompanhar os posts anteriores e fiquem de olho nesse lançamento de sucesso. E para fechar com chave de ouro, é claro que não podia faltar uma promoção, né?

Não sei se vocês lembram, mas em agosto fiz uma enquete no blog perguntando que livro vocês gostariam que eu sorteasse. Segue abaixo a lista com as opções e os votos que cada uma ganhou:

1. Bling Ring: A Gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales - 33 votos

2. A garota que eu quero, de Markus Zusak - 21 votos

3. O Substituto, de David Nicholls - 12 votos

No total foram 66 participações e a maioria escolheu Bling Ring, portanto, em parceria com a Editora Intrínseca, o Blog vai sortear 1 exemplar do livro + 1 bótom.

Gostaram? Então bora participar!!

Recanto da Mi
Para participar é fácil, vocês devem preencher o formulário abaixo e cumprir as regras obrigatórias

REGRAS OBRIGATÓRIAS:
1. Informar um email válido para eu poder entrar em contato com o vencedor;
2. Seguir o blog publicamente pelo GFC (Google Friend Connect - fica na aba lateral direita do blog);
3. Curtir minha fan page no Facebook;   
4. Comentar na resenha do livro Bling Ring: A Gangue de Hollywood. Deixem um comentário válido, pertinente ao livro. Não serão aceitos comentários como: "eu quero, participando, etc".

Quem não souber como usar o formulário do rafflecopter, o blog Somos Criativos fez um tutorial ensinando.
a Rafflecopter giveaway
PARTICIPANTES, FIQUEM ATENTOS ÀS INFORMAÇÕES ABAIXO:

1. Período de duração da promoção: 02.09.2013 à 09.09.2013;
2. O vencedor terá 2 dias para responder o e-mail que será enviado, senão, será desqualificado e um novo sorteio será realizado. VERIFIQUEM SEUS EMAILS NO DIA SEGUINTE AO TÉRMINO DA PROMOÇÃO!!
3. O livro + bótom será enviado para o vencedor em até 30 dias pela Editora Intrínseca. Não nos responsabilizamos por eventuais extravios ou problemas com os correios;
4. O resultado da promoção será divulgado no blog e no facebook assim que os vencedor entrar em contato.

Beijos e Boa Sorte!

Semana Bling Ring - Entrevista com a Autora Nancy Jo Sales - Dia 6

A Gangue de Hollywood

Entrevista
Oi gente, estão gostando da Semana Bling Ring? Espero que sim. Hoje trago para vocês uma entrevista que fiz com a autora do livro, Nancy Jo Sales.

Leiam a resenha do livro Blig Ring: A Gangue de Hollywood AQUI.

A Nancy realmente me surpreendeu! Não quero desmerecer nenhum dos outros autores que já entrevistei, mas entendam, em razão do lançamento do livro e do filme serem recentes, a Nancy está em total evidência, dando entrevistas para inúmeros programas de televisão e meios de comunicação famosos!! Aqui e nos Estados Unidos. A Nancy também acabou se tornando uma celebridade, mesmo que não tivesse intenção disso. E ver um recado meu ser respondido prontamente com tanto carinho e atenção, e depois ver a entrevista sendo respondida de forma tão extensa e profunda, simplesmente me deixou de queixo caído. Me senti a última bolacha do pacote, tenho que confessar!!!

Esta entrevista foi feita através de email, no dia 19/08/2013.

P.S. A tradução foi feita por mim, peço desculpas por algum eventual erro. Foi muito difícil traduzir uma entrevista complexa como esta, mas tentei.

ATENÇÃO! Para quem não leu o livro, cuidado, a entrevista pode conter alguns spoilers da história!! Leiam por sua conta e risco!! 

Nancy Jo Sales
MC: Como surgiu a ideia de fazer a reportagem sobre a Gangue de Hollywood?

NJS: Quando a história veio à tona em outubro de 2009, depois que os garotos foram presos, tornou-se imediatamente uma grande história no noticiário. Ela foi coberta por todos os jornais importantes dos Estados Unidos: o New York Times, Los Angeles Times, CNN, etc. Eu li sobre ela on-line e fui para LA dentro de poucos dias.

MC: Por que você acha que garotos como eles, que tinham tudo o que queriam, vieram a cometer esses crimes?

NJS: "Por que" é realmente a grande questão, é o cerne desta história, e a resposta é bastante complicada. É difícil para mim escolher apenas um motivo para explicar as razões que levaram os garotos da Bling Ring a cometerem os crimes. Eu acho que foi a busca por essas razões que me instigaram a seguir em frente e a escrever um livro sobre eles. Na verdade, a história me pareceu ser tão rica, abordando temas que refletem a cultura e a época em que vivemos agora, que todos estes temas acabam, por fim, refletindo as suas motivações.

Acho que houve razões pessoais e influências sociais que os levaram a fazer o que fizeram. Suas histórias pessoais retratavam aquelas crianças encrenqueiras que tinham problemas em casa, com divórcio, negligência e/ou pais indulgentes. Analisando-os individualmente, eles tiveram problemas familiares, problemas com drogas; diagnóstico de DDA e TDA/H, para o qual alguns estavam tomando medicação, e alguns deles tinham sido expulsos da escola e estavam frequentando uma escola "alternativa", por isso eles se sentiram estigmatizados e alienados. Eles estavam usando uma grande quantidade de maconha e cocaína e alguns deles já estavam viciados. Eles não eram garotos ricos, na verdade, mas eles cresceram em uma comunidade muito abastada onde a diferença do estilo de vida deles e o das pessoas mais ricas era muito aparente.

Mas todas as crianças que têm estes tipos de problemas não andam até a casa de Paris Hilton e simplesmente roubam seus sapatos, ou seja, faz-se necessário analisar a questão sob uma perspectiva mais ampla. Eles foram crianças que cresceram justamente no momento em que a mídia tornava-se obsessiva pelas "estrelas". Eu falo sobre isso no meu livro, sobre como os garotos da Bling Ring eram fascinados por meninas que acabavam sendo presas por dirigirem alcoolizadas ou por posse de drogas, tornando-as modelos de comportamento a seguir. Duas dessas meninas, Paris e Linsey Lohan, na verdade tornaram-se vítimas da Bling Ring, e Rachel Bilson, outra vítima, também tinha saído com alguns garotos arruaceiros mais velhos e teve um acidente de carro que a deixou brevemente em coma. Em meu livro, Alexis Neiers fala abertamente sobre como ficar embriagada tornou-se maneiro para as meninas de sua idade. Dois dos integrantes da Bling Ring foram presos por dirigir embriagados - Nick Prugo e Courtney Ames.

Notei também ao pesquisar para o livro que todas as celebridades, vítimas dos crimes, tinham se envolvido em programas e filmes que promoviam a riqueza e a fama como valores sociais - filmes e programas que também eram populares justamente na época em que os garotos da gangue estavam crescendo. Paris em "The Simple Life", Audrina Patridge em "The Hills", Rachel Bilson em "The OC", etc. Estes programas promoviam a imagem do glamour da riqueza e das celebridades, que foi agravada com explosão de estrelas na última década. A internet deu-nos sites de celebridades que promoviam notícias sobre as mesmas 24 horas por dia, 7 dias por semana. E de repente surgiu o TMZ, um novo tipo desprezível de CNN que veiculava notícias sobre os famosos. Os garotos da Bling Ring eram fascinados pelas celebridades e pelo mundo da moda, alguns deles desejavam ser estilistas famosos e "ter suas próprias linhas de produtos" como as celebridades tinham.

Ainda assim, nada disso explica completamente por que eles fizeram isso, que é o que todo mundo sempre quis saber. Quando a garotada comete crimes, geralmente há um ou dois que são os incitadores do grupo. E no caso da Bling Ring, era Rachel Lee. Ela foi a única que realmente começou a coisa toda. Nick Prugo, que tinha um profundo apego a ela, fazia o que ela mandava, e outros passaram a segui-la também. Nunca cheguei a entrevistar Rachel (ela nunca deu uma entrevista), então eu não sei, em primeira mão, o que motivou ela. Mas a partir de minhas conversas com Nick, e das próprias declarações de Rachel quando ela foi presa, ficou claro que ela estava obcecada pelas celebridades que ela roubou. "O que Lindsay disse?" tornou-se uma frase icônica nessa história - isto foi o que Rachel disse ao policial quando este contou que havia falado com a celebridade vítima do roubo. Rachel estava morrendo de vontade de saber o que Lindsey havia dito sobre ela - mesmo no contexto de tê-la roubado.

Nick também me disse das intenções de Rachel: "Ela só queria fazer parte do estilo de vida que todo mundo quer ter." O estilo de vida dos ricos e famosos, que é sustentado pela nossa cultura como a forma mais maravilhosa de existência. No meu livro eu especulei sobre como a ascensão de um por cento da população ao patamar de extrema riqueza foi adicionada ao sentimento existente entre as pessoas de que estão perdendo alguma coisa que os outros têm. Isto cria um monte de inveja e ressentimento; e a garotada é muito impulsiva e gostam de agir sem pensar e fazer coisas desse tipo. Conversei com algumas pessoas que na verdade me falaram que achavam que os membros da Bling Ring fizeram algo maravilhoso, dando o troco nas classes mais privilegiadas. "Oh, eles têm tanto", eu ouvi as pessoas dizendo - o que foi na verdade uma das explicações dadas por Rachel para o que estavam fazendo, de acordo com Nick.

Por fim, acho que as redes sociais e os reality shows derrubaram algumas paredes que existiam entre os famosos e as pessoas comuns. Nas redes sociais, qualquer um pode se tornar famoso - de uma maneira. E as pessoas famosas estão mais acessíveis do que nunca; eles respondem aos tweets dos seus seguidores diariamente. Reality shows tornaram pessoas totalmente sem talento em celebridades apenas por atuarem em frente à câmera. Então eu acho que os garotos não tiveram a sensação de que suas vítimas eram especiais ou invioláveis. Eles estavam acessíveis, tão acessíveis, que com a ajuda do Google Earth e do site celebrityaddressaerial.com, eles puderam quase que olhar para dentro de suas janelas e descobrir como entrar em suas casas.

MC: Qual foi a repercussão de tais crimes nos Estados Unidos na visão dos jovens?

NJS: Eu acho que as pessoas ficaram fascinadas com a história por causa da maneira que ela reflete o tempo em que vivemos Também não deixa de ser uma história incrível, a respeito da ousadia e da loucura do que eles fizeram. É quase como no conto de fadas de "Cachinhos Dourados e os Três Ursos", só que dessa vez, com a gangue entrando na casa de outra pessoa e provando suas roupas. Ouvi dizer que os roubos têm sido copiados aqui e ali, e eu vi alguns adolescentes escrevendo coisas nas redes sociais como: "Eu quero fazer parte da Bling Ring". Mas no geral eu acho que se transformou numa interessante discussão a respeito do culto às celebridades e seu efeito sobre os adolescentes.

MC: Por que você resolveu transformar a reportagem escrita para a Vanity Fair em livro?

NJS: Eu realmente não esperava escrever um livro. Não até o verão passado, depois do filme já ter sido filmado. Então um editor da Harper Collins se aproximou de mim e perguntou se eu não queria escrever um. Eu fiquei preocupada em não ter tempo livre o suficiente, e eu nunca tinha escrito um livro antes. Mas todo mundo que eu conhecia realmente me incentivou a fazê-lo, então eu fiz.

MS: O que você sentiu ao ver sua reportagem transformada em filme pelas mãos de Sofia Coppola?

NJS: Eu fiquei maravilhada.

MC: O que você achou do filme? Ele traduz o teor da sua reportagem?
 

NJS: Eu amei o filme. Sofia fez um trabalho incrível com esta história e este material. Ela utilizou muito do meu material nas filmagens e inclusive usou minhas transcrições nos diálogos do filme, o que eu acho que foi uma decisão muito inteligente da parte dela. Ela pôde ver que aqueles diálogos eram muito engraçados, reais e reveladores, e ela viu valor neles. Ela chegou muito perto da história que eu escrevi para a revista Vanity Fair. 

MC: Você sabe por que a Sofia optou por trocar os nomes dos membros da gangue?

NJS: Sofia deixou claro que o filme era uma ficção baseado em fatos reais e, apesar dela ter chegado bem perto da verdadeira história, ela também modificou várias coisas a respeito dos adolescentes. Acho que isso ocorreu em parte por questões legais, mas também para deixá-la mais livre para contar a história.

MC: Você acha que tem solução para os problemas que a cultura americana está enfrentando hoje em dia, como o narcisismo, o consumismo desenfreado, a busca incessante pela fama e pelo dinheiro? Existe alguma possibilidade de rompermos com esses padrões culturais e resgatarmos valores morais que realmente importam? Se sim, como?

NJS: Eu acho que os pais e professores devem falar com as crianças e adolescentes e estes têm que conversar entre si. Nós vivemos num momento tão precário, quando há tanta coisa em jogo, com o meio ambiente e muitas outras questões globais. Precisamos nos concentrar em tornar o mundo um lugar melhor.

MC: Você como mãe, faz alguma coisa para impedir que sua filha seja tragada para esse mundo superficial que supervaloriza as celebridades?
 

NJS: Absolutamente. Eu protejo-a de um monte de material inapropriado - e há tanto! Não apenas programas e filmes com valores ruins, humor grosseiro e violência, mas também materiais sexuais inadequados. Mas o crédito para essa decisão é dela. Quando ela tinha uns oito ou nove anos de idade, estávamos assistindo algo na TV e ela disse: "Você sabe, mamãe, eu realmente não acho que eu deveria estar vendo isso." Eu não me lembro sobre exatamente o que era, mas lembro-me dela dizendo que ela não achava que era uma coisa boa para uma criança ver. Ela tinha um senso muito forte de sua própria inocência e de como ela deveria ser protegida. E isso me fez pensar sobre outros produtos comerciais que circulam nos dias de hoje e sobre como eles afetam as crianças.

MC: Se você pudesse dar um recado ou um conselho aos jovens brasileiros, o que diria?
 

NJS: Eu diria muito obrigado por lerem o meu livro! E obrigado pelas ótimas fotos postadas no Instagram que eu adoro ver. Faz-me sentir tão feliz em saber que os jovens do Brasil e em outros países também estão interessados ​​nos temas dessa história. Espero que a conversa sobre esses assuntos tenha começado e se perpetue no futuro.

MC: Gostaria de agradecer a sua atenção e a sua pronta resposta ao meu recado. Estou imensamente feliz em fazer essa entrevista, pois acho o tema do seu livro de extrema importância para o contexto social e cultural que estamos vivendo hoje em dia. Espero que o seu livro ajude a muitos jovens e adultos a enxergarem as coisas de maneira diferente e a refletir sobre qual estilo de vida realmente buscamos e/ou precisamos. Muito sucesso para você, hoje e sempre. Me tornei sua fã.
 

NJS: Muito obrigado por me dar esta oportunidade para falar sobre meu livro. Estou tão feliz que você tenha gostado e realmente aprecio o seu interesse!  

Gostaram da entrevista? A Nancy é uma querida, né?!

E não percam, amanhã é o último post da Semana Bling Ring, que será fechada com chave de ouro com uma promoção!!

Espero por vocês.

Beijos, Mi

Semana Bling Ring - Vamos Debater - Dia 5

Crítica
Oi gente, a Semana Bling Ring está chegando ao final, mas antes, convido vocês para participarem deste importante post. Vamos debater os temas abordados por Nancy em seu livro! Tenho certeza de que um dos motivos que a levaram escrevê-lo foi justamente esse: abrir portas para a reflexão acerca da supervalorização da fama, do dinheiro fácil, do glamour, do consumo, e da busca por um estilo de vida fútil e falso.

ATENÇÃO! Este post abordará temas debatidos no livro Bling Ring e trará quotes do texto. Se você ainda não leu o livro, pode encontrar alguns spoilers sobre a história. Leia por sua conta e risco!!

Já contei para vocês AQUI nesse post que assisti ao filme, de mesmo nome que o livro, dirigido por Sofia Coppola e não gostei. De certo modo, me senti agredida pelas cenas que vi: um bando de jovens riquinhos que só sabiam se drogar, fazer festas e roubar casas de famosos. Enquanto assistia, tudo parecia tão distante da minha realidade, soava tão falso. Mas assim que comecei a ler o livro fiquei absolutamente chocada com tudo que lia. Aquilo de fato aconteceu, aquelas pessoas realmente existem e os problemas sociais pelos quais atualmente passamos são infinitamente mais complicados e complexos do que imaginamos.
"Por que a Bling Ring fazia aquilo? Por que roubar coisas de gente famosa?"
Essa, definitivamente, é a pergunta que não quer calar! O que fez com que jovens bem de vida viessem a cometer roubos tão ousados como esses? Eu pactuo com a visão de Nancy. De início, tudo não passou de um capricho de uma garota mimada como Rachel, que convenceu seu amigo, Nick, a assaltar as casas dos famosos porque ela QUERIA seus pertences. Vocês não imaginam como essa realidade me assusta, principalmente porque o Brasil tende a imitar muito os padrões americanos, inclusive seus maus exemplos, e gradativamente temos visto adolescentes parecidos com os da gangue nas escolas do país.

Quem nunca conheceu um Nick, um jovem excluído e cheio de problemas que anseia profundamente apenas em ser aceito, amado e ter amigos? Eu já fui "uma" Nick um dia, quando era bem guria, usava óculos, aparelho e era gordinha. Quando mudei de escola, já mais crescida, magra e com uma aparência bem melhor, pude desfrutar das mesmas sensações que ele teve ao fazer amigos pela primeira vez, ao frequentar festas e ser popular. Essa é uma sensação indescritível, porque mexe com nosso ego e nossa vaidade, principalmente quando somos jovens e cabeça fraca. Assim como Nick, esse novo status me subiu a cabeça e acabei colocando os pés pelas mãos diversas vezes. Obviamente, não no nível em que ele fez. Estou apenas tentando exemplificar que o perfil do Nick é facilmente encontrado por aí.

E quem nunca encontrou com uma Rachel? A típica "menina malvada", uma líder nata, dissimulada, que usa da sua boa aparência para conseguir o que quer. Uma legítima abelha rainha em que tem tudo e todos sempre aos seus pés? Como resistir ao charme e a influência de uma personalidade como a dela? Como não querer fazer parte do seu seleto grupo de amigos?

E Alexis e Tess? Meninas tão absolutamente comuns hoje em dia. Jovens altamente sexualizadas, preocupadas apenas com sua aparência e fúteis ao extremo. Tess, em sua pouca idade, já havia pousado para a Playboy online e seu sonho era ser uma coelhinha, assim como Andrea, mãe de Alexis, havia sido na sua juventude. Essas meninas retratam muito bem o conceito da "mulher objeto", aquele tipo de mulher sensual, que mexe com a fantasia dos homens e que é sexualmente ativa desde cedo, participando de orgias e adotando comportamentos extremamente nocivos.

Mas e por que encontramos jovens desse tipo cada vez mais? Por que eles têm se tornado tão comuns, quase como um padrão social? Nancy acredita que seja por causa da popularização das redes sociais e cita Paris Hilton como um exemplo, um ícone da ascensão à fama, de forma fácil e sem merecimento. Hoje, qualquer um que tenha internet pode se tornar famoso, nem que seja por 15 minutos. Esses jovens da Bling Ring, assim como muitos dos nossos jovens, cresceram num período em que as celebridades passaram a ser supervalorizadas pela mídia, assim como os seus padrões de vida e a sua riqueza. Estes jovens cresceram acreditando que este era o estilo de vida certo a ser alcançado, e se alguém como Paris conseguiu ficar famoso por causa de um vídeo postado no youtube, "qualquer um poderia".

Hoje, muitos adolescentes não sonham mais em ser médicos, advogados, dentistas, eles querem arranjar um emprego em que não se trabalhe muito, que não se faça muito esforço, mas que dê muito dinheiro. Eles querem ter poder de consumo, comprar carro do ano, celular ultra moderno e vestir o que há de mais chique. Eles querem ficar cada vez mais magros ou musculosos, de acordo com o padrão físico estabelecido. Agregando a esse contexto a cultura da vulgaridade, do consumismo extremo e da supervalorização da fama - cada vez mais veiculada pela mídia - temos como resultado a criação de crianças e adolescentes que são ou serão como estes da Bling Ring.

Além disso, as pessoas estão cada vez mais egocêntricas e narcisistas. Desde pequenos aprendemos a cultuar o "eu", nos colocando sempre em primeiro lugar em detrimento dos demais. "Eu" sou melhor, "eu" sou mais importante, "eu" sou o mais bonito, "eu" mereço, "eu" quero. E sinceramente, me choca ao pensar que até eu me enquadro em muitos desses padrões. Quantas vezes, em momentos egoístas, talvez até inconscientes, eu não quis que certa música fosse trocada porque "eu" não gosto, ou então que certa aula fosse adiada porque "eu" não poderia comparecer? E vocês? Nunca fizeram nada parecido, colocando os seus "eu" acima de qualquer um ou qualquer coisa sem nem se perguntar se o que estão fazendo está prejudicando algo ou alguém ao redor?

Nancy atribui esse tipo de comportamento ao "fenômeno princesa", tão incutido nas crianças de hoje em dia, principalmente nas mulheres. Que criança que não quer se sentir uma princesa, usar vestidos de tafetá e tiaras de plástico na cabeça? Crianças que geralmente ganham sempre tudo que pedem e crescem sem dar o mínimo valor a elas e ao esforço que seus pais fizeram para comprá-las. Crianças que aprendem que basta chorar, berrar, bater os pés para serem mimadas, ganharem atenção e tudo o que pedem. Crianças que crescem sem saber o que é um "não" e que não possuem o mínimo respeito pelas outras pessoas. Que valores essas crianças vão aprender e levar para a vida? Que todos os seus desejos podem e devem se tornar realidade não importa o quê? Que elas merecem nada menos do que um "felizes para sempre"? Mas essa é a realidade na qual vivemos? Não. Então, imaginem o choque de realidade vivido por uma criança dessas, que cresce sem base, vivendo literalmente num conto de fadas? E não adianta dizerem que isso não existe, basta ler o livro e olhar por aí, principalmente para dentro das salas de aula, que veremos inúmeras crianças com um "Reizinho mandão" dentro da barriga, sentindo-se os donos do mundo.

E não podemos esquecer a culpa dos pais!!! Sim, dos queridos pais ausentes, negligentes ou indulgentes. Ok, não serei hipócrita. Sei que na correria do dia-a-dia muitos pais, por causa de seus trabalhos, não conseguem controlar com quem seus filhos andam e o que fazem diariamente. Mas também existem aqueles pais que não dão a mínima para isso e, muitas vezes, para atenuarem as suas culpas, cedem a todos os desejos dos filhos "louvando cada rabisco e atenuando cada repreensão, inflando a avaliação que as crianças fazem de si mesmas, abrindo a porta para uma série de problemas, inclusive a "síndrome da dificuldade de sair de casa" (...)" Que tipo de filhos estamos criando para o mundo?
"(...) o comportamento demasiado condescendente dos pais pode levar a falhas de caráter nos filhos que lembram os sete pecados capitais (...), um sumário sucinto dos sintomas do narcisismo."
Voltando ao caso específico da Bling Ring, que tiveram seus comportamentos doentios agravados por morarem nada mais nada menos do que em Hollywood, um local em que absolutamente TODOS se preocupam com a sua imagem e são facilmente corrompidos pela fama. Se até o policial Goodkin foi capaz de se "vender" e participar do filme da Sofia Coppola, colocando em risco toda a investigação policial e, por consequência, sendo o responsável pelo abrandamento das penas dos condenados, simplesmente para desfrutar de minutos de fama, quem está livre disso?

Pergunto agora para vocês: Por que os integrantes da Bling Ring cometeram aqueles crimes e, se fossem seus filhos, o que vocês teriam feito para evitar o comportamento criminoso deles?

Vamos debater?

Aguardo participações!

Fiquem de olho porque amanhã trarei uma entrevista exclusiva que fiz com a autora do livro, Nancy Jo Sales. E no dia seguinte rolará uma promoção no blog. Não percam!

Beijos, Mi

Semana Bling Ring - Quotes de Bling Ring: A Gangue de Hollywood - Dia 4

Quotes
E aí, estão curtindo a Semana Bling Ring. Não deixem de acompanhar os posts anteriores sobre o livro. Hoje irei postar para vocês diversas quotes que me chamaram atenção no decorrer do texto.

Quem não curte saber muitos detalhes de um livro que ainda não leu e considera as citações como spoilers, fiquem à vontade para não lê-las, ok!!

"(...)Eram pessoas famosas por serem famosas, um novo tipo de celebridade relacionado à presença no Facebook e no Twitter e a calcinhas expostas acidentalmente - mesmo que seja pelo Instagram."
  
"(...) essa era uma história sobre um mundo bem mais cafona, no qual os ricos ostentavam sua riqueza de forma grosseira e espalhafatosa... (...)"

"Falávamos sobre o processo de celebrização de tudo, e que parecia ter acontecido de repente, durante a última década. Eu disse que considerava que o marco desse fenômeno era a ascensão de Paris Hilton. Sofia acreditava que foi a explosão do jornalismo sensacionalista."

"- Com o Twitter - disse ela - é loucura o modo como essas estrelas ficaram acessíveis. - Tão acessíveis, ela acredita, que os jovens da Bling Ring "pensaram que conheciam essas pessoas porque sabiam o que elas comiam no café. Então se sentiram à vontade para entrar na casa delas".

"Os jovens da Bling Ring iam muitas vezes "às compras", como se referiam aos seus roubos, munidos de listas de roupas que pertenciam às suas vítimas famosas, itens selecionados a partir de suas pesquisas na internet."

"Por que a Bling Ring fazia aquilo? Por que roubar coisas de gente famosa?"
  
"- Adoro aquela frase - falando sobre um trecho das transcrições - em que Nick [Prugo] diz [a respeito de Rachel Lee, outra acusada] que "ela queria fazer parte daquele estilo de vida, o estilo de vida que todos nós mais ou menos queremos ter". Eu achava que era muito importante colocar isso no filme, o fato de ele ter presumido que todo mundo deseja esse estilo de vida."

"- Rachel acreditava - disse ele - e, acho, eu também, que Paris era uma idiota. Tipo, quem deixaria a porta destrancada? Quem deixaria um monte de dinheiro bem à vista? Usando a lógica, qualquer um nos Estados Unidos provavelmente chegaria à conclusão de que, se vai tentar algo com uma celebridade, então melhor que fosse alguém, digamos, não muito inteligente..."
  
"Os limites entre "celebridade" e "realidade" estavam desaparecendo a um ritmo vertiginoso. Celebridades estavam agora agindo como pessoas de verdade - tornado-se acessíveis praticamente em tempo integral; (...) - e pessoas de verdade agiam como celebridades, dispondo de várias contas de Facebook e Twitter e às vezes até registrando suas vidas - reais ou roteirizadas - em programas de TV. Tudo estava acontecendo numa velocidade enlouquecedora, afetando a cultura americana no seu nível mais básico e, se for para filosofar, levantando a antiga questão: "O que é o eu?" (E, "se postei algo no Facebook  e ninguém "curtiu", eu existo?")".

"Aquilo me fez pensar na canção de Lady Gaga, "Paparazzi" (2008), que continuava a tocar nas rádios por aquela época. Parecia um hino à nossa era obcecada por celebridades, ou pelo menos um hino apropriado a essa matéria na qual estava trabalhando. Gaga compara o amor moderno ao amor pela fama - se apaixonar é perseguir obsessivamente uma celebridade, é ser um paparazzo: "Sou seu maior fã / Vou te seguir até você me amar / Papa-paparazzi..." Agora era como se todo mundo tivesse se transformado no maior fã de si mesmo. Todos se exibiam nas redes sociais. Todo mundo era o seu próprio paparazzo."
  
"(...) a fama está no seu coração, a fama está lá para nos consolar, para nos dar autoconfiança e reconhecimento, sempre que precisarmos."

"As garotas da Bling Ring cresceram no amanhecer da era chamada "cultura da vulgaridade", na qual mulheres que se portam como objetos sexuais são vistas como interessantes e poderosas."

"(...) meninas estavam sendo sexualizadas por uma série de mídias (...). São imagens, mensagens e produtos que retratam meninas em um contexto sexual impróprio para a sua idade, promovendo a ideia de que elas podem ou deveriam ser "sensuais". Os efeitos adversos para o bem-estar das meninas (...) incluem ansiedade e baixa autoestima, "insatisfação com o corpo e preocupação em relação à aparência", além da depressão - todos os sintomas que levam a distúrbios alimentares, automutilação, consumo de drogas e álcool e tabagismo." 

Quem já tiver lido o livro e quiser contribuir com o post, coloque nos comentários a sua quote favorita.

Beijos e até amanhã.