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Resenha - O papel de parede amarelo

Sinopse: "Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade."
O papel de parede amarelo é um conto escrito por Charlotte Perkins Gilman que foi publicado originalmente em 1892, com um conteúdo um tanto quanto polêmico já que, na época, escrever sobre pessoas perturbadas era considerado algo bastante “perigoso”. Explico: no final do século XIX, ocorreu uma tendência literária em que as heroínas não poderiam ser retratadas como mulheres problemáticas. Quaisquer transtornos que elas viessem a ter deveriam ser ocultados da escrita. Exatamente por esse motivo que O papel de parede amarelo ficou à margem do mercado literário durante muitos anos, sendo redescoberto na década de 1970. Atualmente, o texto está ganhando força justamente porque é possível interpretá-lo como um conto feminista e também porque sua leitura remete a diversas reflexões e debates sobre essa temática (ainda bem!). 

O papel de parede amarelo inicia com a mudança de um casal para uma casa antiga no campo. John, o marido, é médico e acredita que sua esposa está muito doente, sofrendo de uma angústia que a consome dia após dia. O esposo, portanto, decide que eles devem se estabelecer temporariamente neste novo local, pois a tranquilidade da pradaria auxiliará na recuperação da esposa.  Narrado em primeira pessoa, pela mulher, o leitor percebe que existe certa insegurança nas palavras desta personagem. Ela crê que está doente, mas preferiria se restabelecer através de trabalho adequado e convívio social. Seu marido, no entanto, assegura aos amigos e parentes de que não há nada grave, que se trata apenas de uma depressão nervosa passageira e que ela deve fazer o maior repouso possível. 

Resenha - Vá, coloque um vigia

Resenha - Vá, coloque um vigia
Sinopse: "Vá, coloque um vigia é o segundo romance de Harper Lee, mas foi escrito antes do mítico O sol é para todos, que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1961. Este livro inédito marca o retorno, após 65 anos de silêncio, de uma das maiores escritoras americanas do século XX. A continuação de O sol é para todos, um dois maiores clássicos da literatura mundial. Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar."
ATENÇÃO, esta resenha pode conter spoilers do livro O Sol é para todos. Leiam por sua conta e risco!

Em O Sol é para todos, somos apresentados à pequena Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout ou, como a menina de nove anos que viu a sua vida se transformar quando o pai, o advogado Atticus Finch, aceitou defender um negro de uma acusação de estupro, em uma época na qual os negros ainda eram tratados como escória.

Em Vá, coloque um vigia, muitos anos se passaram e Jean Louise já está com vinte e seis anos, morando em Nova Iorque. No começo do livro ela vai até Maycomb, para a sua quinta visita anual à casa do pai, onde passará duas semanas com o homem que tanto admira.

Muita coisa mudou na vida dos personagens no transcorrer do tempo de uma obra para a outra. Aqui, o irmão mais velho de Jean Louise, Jem, faleceu repentinamente, Atticus está velho, sendo cada vez mais atacado pela artrite reumatoide e Henry Clinton, a paixão de adolescência de Jean, insiste em casar-se com ela a qualquer custo, mesmo que o matrimônio não esteja nos planos da garota.

Maycomb, por sua vez, continua sendo aquela pacata cidade de antes. Todos se conhecem e sabem da vida um dos outros. Jean Louise nunca foi bem vista pela sociedade em razão do seu comportamento e da sua personalidade irreverente, mas é claro que ela nunca se importou com isso. A garota tem uma mente à frente de seu tempo e irrita-se com as futilidades que as outras mulheres de sua idade parecem amar.

Essa nova visita de Jean Louise à Maycomb promete dar muito o que falar, já que o país está passando pelo fim da segregação racial e os negros estão adquirindo mais posses, status e independência - o que não está sendo muito aceito pelos brancos, que ainda os consideram a ralé da sociedade.

Em Nova Iorque, Jean Louise não via isso com tanta frequência, mas nos Estados do Sul tudo está cada vez mais alarmante e há até uma possibilidade de mais uma guerra eclodir. O que Jean Louise não entende é por que todos querem impedir o avanço e se vê em meio a um conflito interno, quando tudo em que acredita é colocado em prova pelas pessoas que mais ama.

Agora, Jean Louise deverá decidir qual rumo dará para sua vida. Retornar para Nova Iorque ou ficar de vez em Maycomb? Casar-se ou não com Henry? E, o mais importante de tudo: ser fiel aos seus princípios ou à sua família?

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

Resenha - Pergunte ao Pó

Resenha - Pergunte ao Pó
Sinopse: "História do alterego do autor, o escritor Arturo Bandini. Filho de imigrantes, Bandini é um jovem pretenso a escritor que se sente excluído da sociedade. Ele quer escrever sobre a vida e o amor, mesmo não tendo muita experiência sobre ambos, e se apaixona por uma linda garota. O romance se passa na Los Angeles da década de 1930. Fante é um dos mais importantes nomes da literatura americana e seus livros influenciaram a geração beat e muitos escritores, entre outros, Charles Bukowski."
Este livro poderia ser resumido em um nome: Arturo Bandini. Porque Arturo Bandini deveria dizer o suficiente, certo? Bom, o ego dele pensa que sim. Bandini é o infame protagonista de Pergunte ao Pó, livro escrito em primeira pessoa e que narra um breve período e algumas memórias do grande escritor de O cachorrinho riu.

O jovem, que há pouco adentrou a casa dos 20 anos, é um pouco poético e muito caótico. Ele se mudou para Los Angeles na esperança de alavancar sua carreira, entretanto, com apenas um conto publicado em toda sua vida, Bandini vive na miséria, com fome e brigando com a senhoria em virtude dos aluguéis atrasados. Não bastasse isso, Bandini ainda sofre de uma ausência aguda de inspiração e não consegue escrever uma linha sequer.

Todavia, seu ego é ainda maior que sua fome, e o escritor se considera nada mais, nada menos do que um gênio. Extremamente arrogante, cada centavo que conquista, seja pela boa vontade da mãe ou pelo grande esforço de seu editor, Hackmuth, é gasto na ostentação de um status que Bandini nunca possuiu. Sim, o jovem é delirante, pedante e insuportável, mas um personagem hilário.