É uma
fria noite de novembro de 1931, e Harper Curtis se esgueira pelos Pântanos
lamacentos dos arredores de Chicago tentando salvar a própria pele. Ele não
poderia ter previsto que as coisas chegariam a este ponto, e tampouco que uma
briga iniciada com mucosas tuberculosas sobre as cartas do jogo acabariam com
Curtis tentando se defender de um golpe baixo, acertando a artéria de seu
oponente com o caco de vidro que tinha na mão. Não, ele jamais mataria alguém,
mas agora precisava se esconder para não ser morto ou apodrecer em uma prisão.
Durante a
fuga, Curtis recebe um casaco de uma senhora cega que encontrou enquanto se
escondia. Ele segue em sua fuga, agora aquecido, e com uma chave misteriosa
tilintando no bolso do recém-adquirido casaco. Mais adiante ele percebe algo
sinistro acontecendo: as luzes piscam, poste a poste, conforme ele se
movimenta, aparentemente indicando um caminho. Sem uma opção melhor em mente,
ele as segue até chegar a uma casa abandonada e em avançado estado de
deterioração, mas que coincidentemente, é aberta pela chave que estava no
casaco. Do lado de dentro, o ar quente e o ambiente luxuoso não condizem com o
que era visto de fora. Existe algo muito estranho, mas ele não demora muito
para perceber que sua vida teria uma mudança drástica dali para frente.
A casa
possui dois andares, e Curtis é atraído ao quarto no fim do corredor no andar
superior. Há algo de estranho lá. Algo que o chama como se soubesse seu nome.
Nas paredes do quarto, objetos pregados nas paredes ao lado de nomes de meninas
que brilham traçam o mapa do futuro de Curtis. Sem saber como, ele sabe o que
fazer. A parede é uma sentença de morte, e ele precisa encontrar as garotas que
brilham.
Então
Curtis sai da casa para cumprir seu destino. É 1974, e conhecer a criança que
brilha, e cuja vida ele se encarregará de dar um fim, é o primeiro dos prazeres
de sua tarefa. O excita observar a pequena brincando e lhe entregar um
brinquedo que a marca como uma de suas garotas iluminadas. Mais tarde, ou para
ela daqui a alguns anos, ele retornará para buscá-lo e, é claro, cravar sua
faca naquela delicada barriguinha até que a garota deixe de brilhar.
É 1992, e
Kirby Mazrachi conquista seu objetivo de se tornar a mais nova estagiária de
Dan Velasquez, antigo repórter policial e atual responsável pela coluna de
esportes do Chicago Sun-Times. Não que Dan fosse um repórter concorrido, na
verdade, ele nunca desejou uma estagiária, mas a insistência de Kirby levou a melhor.
Passados tantos anos do ataque do psicopata que quase a havia matado, tudo o
que ela queria era poder estar ao lado do repórter que cobriu o caso para obter
mais informações. A tentativa de homicídio nunca foi solucionada e Kirby não
pretende descansar até que o cara que a deixou à beira da morte recebesse sua
sentença. Seja ela qual fosse.
***
Eu odeio
Harper Curtis. Acredito que devo começar por aí. Esqueça Dexter, Harper está
mais para um Charles Manson velho e repulsivo. Dito isso, posso descrever o
restante do livro.
Iluminadas
é um thriller sombrio, às vezes perturbador, e um quebra-cabeça cujas peças vão
se encaixando capítulo a capítulo até chegar ao fim. Eu adoraria ser a
proprietária d'A Casa (tirando a parte sombria dos assassinatos que ela demanda,
é claro), mas convenhamos, quem não gostaria de ter uma casa na qual a porta da
frente se abre para o ano que o proprietário quiser?? "- O que temos para
o café da manhã hoje, querida?”,“- Um pãozinho fresquinho de 1810, leite
entregue pelo leiteiro de 1920 e alguns bolinhos que busquei naquela deliciosa
padaria que fica ali na esquina em 1962, querido. A propósito, topei com Frank
Sinatra saindo da casa da vizinha, na volta." Isso seria perfeito! Mas ok,
a realidade de Iluminadas não é tão alegre e inocente quanto à cabeça da Amélia
que está contando essa história para vocês. Voltemos ao livro.
Curtis
viaja por diferentes épocas e estágios da vida de suas vítimas para encontrá-las
e, quando julga chegar a hora, acaba com suas vidas. Ele sente prazer em seu
ritual macabro até concluir seu "trabalho" com cada uma delas. Harper
gosta de matar. Mas ele também tem medo d'A Casa, de o que acontecerá quando
todos os nomes que brilham na parede do quarto representem apenas garotas
iluminadas mortas. Além disso, ele não é exatamente o tipo sortudo de
assassino, já que coleciona ossos quebrados e deformidades acumuladas ao longo
de suas matanças.
Paralelamente
à história de Harper, também são relatadas as histórias de suas vítimas e
algumas pessoas que interagem com ele através dos tempos. É uma colcha de
retalhos que vai se unindo aos poucos. Dentre as vítimas, a história de Kirby
nos dias atuais do livro é a que recebe mais destaque, uma vez que ela busca
concluir uma tarefa que a polícia não chegou nem perto de começar: descobrir
quem é o homem que a atacou e levá-lo à justiça. Mas como ela conseguirá
realizar essa proeza, quando o assassino pode estar em qualquer lugar no tempo?
Assassinos
cometem erros, e Kirby pretende aproveitar sua vez de jogar.
A
apresentação do livro é impecável, porém com alguns pequenos erros de revisão.
Apesar de o número de páginas não ser tão grande, a leitura se arrasta um pouco
devido às constantes mudanças de cenário e data. No começo fiquei um pouco
perdida, mas não é um dos mais difíceis de se achar. Sei que muitos de vocês
têm esse problema, assim como eu, de se perder no livro quando a história
altera muitas vezes o tempo da narrativa, mas esse não foi dos piores, dá para
acompanhar tranquilamente.
O texto é
escrito em terceira pessoa, o que é ótimo, pois nos dá a visão de diferentes
personagens em diferentes capítulos. Mas como sempre, serei honesta com vocês:
eu não entendi por que as meninas brilham. E não é pela história terminar em
aberto, ao contrário, a autora conseguiu fechar o quebra-cabeça direitinho,
incluindo o ciclo tempo-espaço, o que achei muito legal, mas para mim, exceto
pela Kirby, não ficou claro o porquê daquelas meninas terem seus nomes na
parede e brilharem. Depois que vocês lerem, podem me enviar suas teorias por
e-mail, ficarei feliz em discutir elas com vocês.
Como já
comentei com vocês, suspenses policiais não são exatamente meu tipo preferido
de leitura, mas achei legal o fato de ter terminado o livro e ficado um tempão
juntando as peças na minha cabeça e concluindo minhas próprias teorias e
entendendo o que de fato aconteceu. É empolgante quando um livro te faz pensar,
mesmo que este não seja seu tipo de história, e por esse motivo, apesar de eu
achar que a autora tem um lado psicopata bastante aflorado para criar um
protagonista tão doentio, Iluminadas acabou ganhando pontos extras comigo.
***
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Oi Dany :)
ResponderExcluirNem preciso dizer que amei sua resenha, né?
Eu não me interesso por esse livro, pois pude perceber através de sua resenha, que apesar de ser bom, não irá encantar o leitor. Vou deixar para comprar um suspense que eu tenho certeza de que irei gostar. Beijos!
http://euvivolendo.blogspot.com.br/
Esse livro parece muito, muito bom. Eu amei a resenha, e já li várias outras dele. Eu estou ansiosa para lê-lo.
ResponderExcluirThe Lord of Thrones
Dany,
ResponderExcluirConfesso que sou muuuuito medrosa, comecei a ler e comecei a sentir algo estranho. Acho que nem preciso falar, mas vou dizer assim mesmo: Não pretendo ler o livro O.o
Beijocas ^^
Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas adoro thriller e principalmente algo mais pertubador. Amei a resenha e vou procurar lê-lo :D
ResponderExcluirAmei a resenha *-*
ResponderExcluirAchei super legal queroo muito ler esse livro parece ser bom apesar do gênero suspense não ser meu preferido fiquei super interessada neste livro pretendo ler em breve
Já ouvi falar desse livro, ma não tinha lido uma resenha. Sua resenha me deixou curiosa e assim que der vou ler, pois sou fã de thriller e esse me pareceu ser ótimo.
ResponderExcluirQuando vi esse livro entre os lançamentos da editora a capa me chamou a atenção e só fui convencido a comprar depois de ver uma resenha no skoob que me deixou com muita vontade de ler, achei a ideia da autora de brincar com o espaço-tempo muito arriscada, ainda bem que ela conseguiu se sair bem, quanto ao assassino, como sou um grande fã de livros policiais, acredito que iria gostar de acompanhar uma pessoa tão complexa como ele, o que deixa esse livro melhor na minha opinião são as partes mais perturbadoras em que o suspense se aflora e ficamos tentando encontrar a resposta para tudo, por fim quanto a identificação das datas e dos períodos onde Harper atua só deve ser um pouco demorado até entrar no ritmo do livro, depois a leitura deve fluir melhor, Iluminadas é uma das minhas próximas leituras e a farei com altas expectativas com quase certeza de que sairei satisfeito.
ResponderExcluirNunca tinha ouvido falar no livro , e confesso que nunca li nada nesse estilo , mais sou louca para ler , estava só esperando um bom livro , e esse é ele , me chamou atenção , me animou a lê-lo , sou bem medrosa kk tomara que eu consiga terminar ele kk , amei a historia e a resenha , parabéns , me incentivou a querer lê-lo , bjus.
ResponderExcluir*0* Muito boa a resenha, mas sou medrosa, rs.
ResponderExcluirÉ interessante (principalmente a parte da casa), mas, por ser um ' ' thriller sombrio ' ' acho que não terei coragem de ler haha.
Esse livro parece ser muito macabro. Acho que não vou ler, pois confesso sou um pouco medrosa.
ResponderExcluirTambém adoraria ter uma casa dessa, tirando a parte assustadora.
esse estilo de livro é bastante interessante, mais o bom de resenhas é a gente fica sabendo um pouco da história e eu nao compraria esse livro, e eu nao gostei do livro mais vlw pela Resenha Dany fico muito boa msm
ResponderExcluirOi! Não curto muito livros de suspenses, e a sinopse não me agradou. Não aparenta ser aqueles livros que prendem você até o final, mas sim aqueles que são apenas "bons" e nada mais. Essa leitura eu pulo então!
ResponderExcluirBjos!
Oi Dany, não tive a oportunidade de ler o livroooe tb nao gosto muito de suspenses policiiais..
ResponderExcluirgostoo maiis dos livros romanticos que sabem me prender na leituraa...uhsauhs com certeza é empolgante quando um livro faz pensar, ainda mais quando não é o tipo de história que a gnte goste,kkk adoreii você falando que acha que a autora tem um lado psicopata ksksks beiiijoos..
Parece um livro irresistível, e agora (culpa sua Dany) eu NECESSITO dele. Tudo parece tão perfeito.
ResponderExcluirOi, Danyyyy! Me sinto mais próxima de você agora que já te vi na live de hoje hahaha
ResponderExcluirGostei da sua resenha, mas acho que não taanto do livro... Não sou muito fã de livros que intercalam épocas de forma confusa, então não sei se me entusiasmaria com essa leitura.
Oi Dany, também não sou muito fã de suspenses policiais, mas fiquei bem interessada nesse livro. Adorei a resenha. Fiquei um pouco confus, mas acho que só lendo o livro para entender direito.
ResponderExcluirOi, Dany! Desde que vi esse livro e li a sinopse, me convenci de que queria lê-lo. Além de gostar de livros do gênero, ainda tem essa parada de viagens no tempo que me agrada bastante. Super me jogo em leituras que tenham personagens doentios como esse Harper Curtis, e fico sempre com o coração na mão quando chega a cena do embate final entre mocinha e bandido. Assim que conseguir ler, vou criar minhas próprias teorias e te enviar. kkkkkk
ResponderExcluir@_Dom_Dom
nunca tiva ouvindo falar, mas esse gênero realmente me chama a atenção, adoooooro. e a resenha que está otima como sempre, me deixou com muita vontade de ler
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