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Lançamentos do Grupo Companhia das Letras - Junho/ 2019



O jogo da amarelinha, Julio Cortázar
Tão radical quanto inclassificável, a obra-prima de Julio Cortázar mudou para sempre a história da literatura — e chega agora em nova edição ao leitor brasileiro. “A verdade, a triste ou bela verdade, é que cada vez gosto menos de romances, da arte romanesca tal como é praticada nestes tempos. O que estou escrevendo agora será (se algum dia eu terminar) algo assim como um antirromance, uma tentativa de romper os moldes em que esse gênero está petrificado”, escreveu Julio Cortázar numa carta de 1959, quando iniciava a escrita do que viria a ser O jogo da amarelinha. Publicado em 1963, o relato de amor entre um intelectual argentino no exílio, Horacio Oliveira, e uma misteriosa uruguaia, a Maga, ao acaso das ruas e das pontes de Paris, é um marco da literatura do século vinte. A nova edição brasileira traz uma seleção de cartas do autor sobre a escrita e a recepção de O jogo da amarelinha, tradução de Eric Nepomuceno, projeto gráfico de Richard McGuire e textos de Haroldo de Campos, Mario Vargas Llosa, Julio Ortega e Davi Arrigucci Jr.

Resenha - A Lista dos meus Desejos

"Até que ponto o dinheiro traz felicidade? Essa é a questão central de A lista dos meus desejos, o fenômeno de crítica e público que ultrapassou a marca de 400 mil exemplares vendidos na França e será levado às telas em 2013. Numa trama pontuada pelo amor e pela imprevisibilidade do destino, Grégoire Delacourt desenvolve uma história sobre as prioridades do desejo."
Jocelyne é uma mulher de 47 anos, casada com um marido fiel e amoroso, mãe de dois filhos e dona de um armarinho. Escreve um blog diário que dá alegria a várias mulheres e que tem sido um grande sucesso.
"Dedosdeouro abrira comportas de gentileza soterrada, escondida. Minhas histórias de sianinhas, pregueados e vieses parecem ter criado um vínculo forte; uma comunidade invisível de mulheres que, redescobrindo o prazer da costura, haviam substituído a solidão dos seus dias pela alegria inesperada de formar uma família."
Jocelyne é feliz, do jeito dela, mas sempre soube que algo faltava em sua vida, algo que de fato a preenchesse. Suas amigas gêmeas, Danièle e Françoise, têm o constante hábito de jogar na loteria e ficam fazendo planos mirabolantes do que comprariam se ganhassem. Um belo dia insistem para que Jocelyne tentasse a sorte, o que ninguém imaginava é que a sorte sorriria para ela. Seria um sorriso sublime ou um sorriso de deboche?

De qualquer forma, Jocelyne acaba ganhando 18 milhões de euros, mas logo depois que descobre ser a vencedora, congela de medo sem saber o que fazer com a quantia. Vai até Paris para receber seu polpudo cheque e ao invés de depositá-lo no banco, guarda dentro de um sapato em seu quarto.

Jocelyne até tem vontade de usar o dinheiro, realizar o sonho dos seus familiares queridos. Faz algumas listas com planos, mas tem receio de que tudo mude quando os outros souberem que ela ficou rica. E se o seu marido a deixar? E se seus filhos passarem a lhe enxergar apenas como uma mãe rica e abusarem de sua boa vontade? E se os outros quiserem ser seus amigos apenas porque ela tinha dinheiro? A certeza de sua vida simples lhe confortava e assim ela gostaria que permanecesse. Estava feliz do jeito que estava.
"Eu possuía o que o dinheiro não podia comprar, mas apenas destruir. A felicidade."
Havia decidido, não ia ficar com o dinheiro, ele não seria capaz de lhe dar as coisas que ela realmente queria, como seus sonhos mais antigos ou seus amores que já se foram (sua mãe e falecida filha).

Mas e se junto com o dinheiro sua felicidade fosse embora? E se o seu coração fosse arrancado por uma traição de quem ela menos esperava (ou será que imaginava)? O que Jocelyne faria? Leiam e descubram.

***

Nunca tinha ouvido falar desse livro ou desse autor e fui completamente seduzida pela capa assim que o vi. A sinopse igualmente me chamou atenção. Fiquei curiosa achando que ia desfrutar de uma história engraçada sobre quando pessoas enriquecem do nada e sobre os dilemas que passam a viver a partir disso, mas não.

A Lista dos meus Desejos de Grégoire Delacourt é um livro curtinho, rápido de ler, com uma narrativa que eu achei um pouco diferente. Pelo que me recordo nunca tinha lido um livro de um autor francês e claro, além de conter muitas citações de regiões e palavras francesas, bem como alguns costumes locais, me senti transplantada para outra época, mais antiga, mesmo a história tendo sido escrita em um cenário atual.

Não sei se é porque o livro retrata a vida de uma cidade do interior, pequena e pacata, e cidades do interior são assim, sem grandes acontecimentos e pretensões, ou se é porque a vida na França em uma cidade do interior é assim, mais "lenta", mas tive a impressão de ler acerca dos problemas da vida de uma senhora de 60 anos ou mais, e não de uma mulher de 47 anos que deveria estar cheia de vida e planos, e isso me deprimiu um pouco.

A vida de Jocelyn é muito simples (nada contra), casa, marido, trabalho, blog, algumas saídas com amigas. Ela está sempre feliz e satisfeita com tudo apesar de sempre se recordar de forma melancólica das coisas que nunca teve e que nunca vai ter.

Sim, o livro nos traz lições importantes de vida a respeito do amor e do dinheiro, do que de fato é a felicidade, mas ele é muito triste, nostálgico e meio deprimente. Praticamente toda a história é narrada por Jocelyne, mas no final temos um pequeno vislumbre da visão de seu marido Jocelyn sobre tudo o que se sucedeu.

O livro não é ruim, não me entendam mal. Mas sabe quando não conseguimos nos identificar com a história e com os personagens? Talvez seja porque eu ainda não tenha 47 anos e ainda não tenha vivido 20 anos de casamento, ou porque não tenha 2 filhos crescidos e não saiba o que isso significa. Mas simplesmente não compreendi muito bem o porquê de ele ter ficado um ano na lista dos livros mais vendidos na França.

De qualquer forma, achei o final muito bom, uma bela de uma reviravolta. Não é um final exatamente feliz, e eu gosto de finais assim, reais, palpáveis, porque a vida geralmente é assim. O livro é bom e me fez pensar muito sobre a questão financeira. Todos nós sabemos que o dinheiro não compra felicidade, e quando já somos felizes e o dinheiro cai aos nossos pés, o que fazer? Leiam e tirem suas próprias conclusões!

A Lista dos meus Desejos - Grégoire Delacourt 
Editora Alfaguara
152 páginas
Comprar: Submarino / Saraiva