"Até que ponto o dinheiro traz felicidade? Essa é a questão central de A
lista dos meus desejos, o fenômeno de crítica e público que ultrapassou a
marca de 400 mil exemplares vendidos na França e será levado às telas
em 2013.
Numa trama pontuada pelo amor e pela imprevisibilidade do destino,
Grégoire Delacourt desenvolve uma história sobre as prioridades do
desejo."
Jocelyne é uma mulher de 47 anos, casada com um marido fiel e amoroso, mãe de dois filhos e dona de um armarinho. Escreve um blog diário que dá alegria a várias mulheres e que tem sido um grande sucesso.
"Dedosdeouro abrira comportas de gentileza soterrada, escondida. Minhas
histórias de sianinhas, pregueados e vieses parecem ter criado um
vínculo forte; uma comunidade invisível de mulheres que, redescobrindo o
prazer da costura, haviam substituído a solidão dos seus dias pela
alegria inesperada de formar uma família."
Jocelyne é feliz, do jeito dela, mas sempre soube que algo faltava em sua vida, algo que de fato a preenchesse. Suas amigas gêmeas, Danièle e Françoise, têm o constante hábito de jogar na loteria e ficam fazendo planos mirabolantes do que comprariam se ganhassem. Um belo dia insistem para que Jocelyne tentasse a sorte, o que ninguém imaginava é que a sorte sorriria para ela. Seria um sorriso sublime ou um sorriso de deboche?
De qualquer forma, Jocelyne acaba ganhando 18 milhões de euros, mas logo depois que descobre ser a vencedora, congela de medo sem saber o que fazer com a quantia. Vai até Paris para receber seu polpudo cheque e ao invés de depositá-lo no banco, guarda dentro de um sapato em seu quarto.
Jocelyne até tem vontade de usar o dinheiro, realizar o sonho dos seus familiares queridos. Faz algumas listas com planos, mas tem receio de que tudo mude quando os outros souberem que ela ficou rica. E se o seu marido a deixar? E se seus filhos passarem a lhe enxergar apenas como uma mãe rica e abusarem de sua boa vontade? E se os outros quiserem ser seus amigos apenas porque ela tinha dinheiro? A certeza de sua vida simples lhe confortava e assim ela gostaria que permanecesse. Estava feliz do jeito que estava.
"Eu possuía o que o dinheiro não podia comprar, mas apenas destruir. A felicidade."
Havia decidido, não ia ficar com o dinheiro, ele não seria capaz de lhe dar as coisas que ela realmente queria, como seus sonhos mais antigos ou seus amores que já se foram (sua mãe e falecida filha).
Mas e se junto com o dinheiro sua felicidade fosse embora? E se o seu coração fosse arrancado por uma traição de quem ela menos esperava (ou será que imaginava)? O que Jocelyne faria? Leiam e descubram.
***
Nunca tinha ouvido falar desse livro ou desse autor e fui completamente seduzida pela capa assim que o vi. A sinopse igualmente me chamou atenção. Fiquei curiosa achando que ia desfrutar de uma história engraçada sobre quando pessoas enriquecem do nada e sobre os dilemas que passam a viver a partir disso, mas não.
A Lista dos meus Desejos de Grégoire Delacourt é um livro curtinho, rápido de ler, com uma narrativa que eu achei um pouco diferente. Pelo que me recordo nunca tinha lido um livro de um autor francês e claro, além de conter muitas citações de regiões e palavras francesas, bem como alguns costumes locais, me senti transplantada para outra época, mais antiga, mesmo a história tendo sido escrita em um cenário atual.
Não sei se é porque o livro retrata a vida de uma cidade do interior, pequena e pacata, e cidades do interior são assim, sem grandes acontecimentos e pretensões, ou se é porque a vida na França em uma cidade do interior é assim, mais "lenta", mas tive a impressão de ler acerca dos problemas da vida de uma senhora de 60 anos ou mais, e não de uma mulher de 47 anos que deveria estar cheia de vida e planos, e isso me deprimiu um pouco.
A vida de Jocelyn é muito simples (nada contra), casa, marido, trabalho, blog, algumas saídas com amigas. Ela está sempre feliz e satisfeita com tudo apesar de sempre se recordar de forma melancólica das coisas que nunca teve e que nunca vai ter.
Sim, o livro nos traz lições importantes de vida a respeito do amor e do dinheiro, do que de fato é a felicidade, mas ele é muito triste, nostálgico e meio deprimente. Praticamente toda a história é narrada por Jocelyne, mas no final temos um pequeno vislumbre da visão de seu marido Jocelyn sobre tudo o que se sucedeu.
O livro não é ruim, não me entendam mal. Mas sabe quando não conseguimos nos identificar com a história e com os personagens? Talvez seja porque eu ainda não tenha 47 anos e ainda não tenha vivido 20 anos de casamento, ou porque não tenha 2 filhos crescidos e não saiba o que isso significa. Mas simplesmente não compreendi muito bem o porquê de ele ter ficado um ano na lista dos livros mais vendidos na França.
De qualquer forma, achei o final muito bom, uma bela de uma reviravolta. Não é um final exatamente feliz, e eu gosto de finais assim, reais, palpáveis, porque a vida geralmente é assim. O livro é bom e me fez pensar muito sobre a questão financeira. Todos nós sabemos que o dinheiro não compra felicidade, e quando já somos felizes e o dinheiro cai aos nossos pés, o que fazer? Leiam e tirem suas próprias conclusões!
A Lista dos meus Desejos - Grégoire Delacourt