Sinopse: "Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai! De quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício... Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro..."
Lucius, um rapaz de 20 anos, se muda para Campos do Jordão para cursar Matemática. Sem muitas condições financeiras e
sustentado pelo pai, que é um simples comerciante, acaba indo morar em um
casarão em estado precário que mais parece ter saído de um filme de terror.
Intrigado com algo que vê além da janela, o jovem universitário
desbrava sua nova moradia e se depara com uma montanha-russa inacabada. Sob a
terra que sustenta a primeira estaca da construção, Lucius encontra uma caixa
que guarda uma carta com o sonho de uma garota que viveu naquele lugar 50 anos
atrás.
Anabelle tinha apenas 17 anos quando perdeu o pai para a
tuberculose, e passou a morar sozinha no antigo casarão, com seu gato Tião. Sem
ninguém para ampará-la, a garota lutou diariamente para sobreviver com os
poucos recursos que lhe restavam, enquanto buscava uma forma de tocar a sua
vida. Porém, sua maior preocupação era ver Belleville, a montanha-russa que seu
pai construiu para ela no quintal da casa antes de morrer, concluída.
Como não tinha condições de continuar o projeto, Annabelle
deixou uma carta enterrada junto à primeira estaca dos trilhos de Belleville para
que, após sua morte, o futuro morador pudesse dar continuidade à construção.
Posteriormente, considerando a ideia boba, decidiu recolher a carta, quando foi
surpreendida com uma nova mensagem junto a sua que, segundo o emissor, veio do
futuro.
A partir daí, Lucius e Anabelle começam a se corresponder,
através de um buraco no tempo, e sentem cada vez mais forte o desejo partilhado
de ver Belleville finalizada. Mas esta não será uma tarefa fácil, tendo em
vista de que Lucius não tem dinheiro e precisa cuidar dos estudos e dos problemas
que surgem na faculdade. Se isso não fosse o suficiente para deixá-lo ainda
mais aflito, Lucius descobre que um tio de Anabelle, que vai morar com a
garota, maltrata a sobrinha.
Enquanto enfrenta a ferocidade do tio, Anabelle não desiste
de realizar o sonho de seu pai de terminar Belleville, e Lucius, por sua vez, desesperado,
tenta desvendar uma forma de ajudar a garota de lindos olhos do retrato que viu
e que mora na mesma casa que ele, contudo 50 anos no passado.
Querem saber o que vai acontecer? Então leiam o livro!
***
Belleville é o quarto livro escrito pelo autor Felipe
Colbert, e foi publicado em 2014 pela Editora Novo Conceito. Confesso que as minhas
expectativas para com a leitura não estavam altas. Não que eu acreditasse que a
obra fosse ruim, apenas não me imaginei como seu público alvo, uma vez que
pensei se tratar de um texto muito romântico, onde o casal protagonista se
apaixona perdidamente à primeira vista e um se torna o ar que o outro respira. Um
tipo de narrativa que eu não curto, entretanto, percebi que, felizmente eu
estava redondamente enganado.
Logo nos primeiros capítulos, fui arrebatado pela história
de Lucius e Anabelle, me envolvendo com seus dilemas e anseios. O texto,
narrado em primeira pessoa, tem capítulos escritos de maneira intercalada entre
os protagonistas, que foram caracterizados de maneira muito realista, já que o
autor se preocupou em não criar pessoas perfeitas, mas sim, seres humanos com
seus defeitos que são capazes de cometerem erros, mesmo quando só querem
acertar e ajudar os outros.
A bravura sentida por Lucius e Anabelle, que querem superar seus
obstáculos e alcançarem seus objetivos, é contagiante. Mesmo que não aprovemos
algumas de suas atitudes, conseguimos compreendê-los ao nos imaginar vivendo a
mesma situação. E podemos acompanhar a evolução do relacionamento dos
protagonistas gradativamente, principalmente através da forma com a qual se
correspondem pelas cartas.
Por falar nas cartas, não posso deixar de mencionar a
atenção dada pelo Felipe nesse ponto da história, não só ao nos apresentar a
mudança na forma como os protagonistas se falam, mas também no conflito existente
entre as épocas, já que os personagens se encontram em períodos diferentes –
ele está no ano de 2014 e ela em 1964. Nesse sentido, era de se imaginar que
Lucius e Anabelle entrariam em algum tipo de atrito em relação a assuntos
triviais, como, por exemplo, “o que é internet?”. Por este ângulo, o autor está
de parabéns pela forma como lidou com estas questões, não deixando nenhuma
ponta solta.
Em um panorama geral e detalhado, Belleville foi uma obra
muito bem desenvolvida e que superou as minhas expectativas. Até o momento em
que escrevi essa resenha, digo que esse foi o melhor livro que li em 2015. O
Felipe e seu trabalho representam bem a qualidade da nossa literatura nacional.
Recomendo essa leitura a todos.
PS.: Gostaria de dizer que é uma honra ter escrito minha
primeira resenha para o Recanto da Mi (obrigado MIREEEEEEEEEEEELLE), ainda mais
tendo sido do livro de um dos nossos grandes escritores nacionais, cuja
história eu simplesmente amei!
Belleville - Felipe Colbert

Oi Laplace!
ResponderExcluirEu comprei este livro no ano retrasado para levar para o Felipe autografar mas ainda não li! rsrsrsrsr
Bom saber que vc gostou, isso só me deixa mais curiosa para lê-lo!
Bjo bjo^^
Pois então ler antes do Felipe autografar, porque aí tu já conversa com ele sobre a história e o momento do autógrafo será ainda mais emocionante. :)
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